Polícias apontam polémicas e "imagem negativa" de Cabrita. "Este Governo e ministro não resolveram problemas"

A Associação dos Profissionais da Guarda encara como tardia a demissão de Eduardo Cabrita, e lamenta que a decisão se prenda com motivos "políticos". Já a Associação Sindical dos Polícias assinala a "imagem negativa" criada pelo ministro "junto dos polícias e da população em geral".

O presidente da Associação dos Profissionais da Guarda considera que a saída de Eduardo Cabrita do Governo peca por tardia. César Nogueira garante ser necessária uma mudança de políticas. "Só é pena que esta demissão seja uma demissão não por aquilo que foi feito, ou não foi feito, melhor dizendo, durante o período em que foi ministro da Administração Interna, mas que tenha sido por uma questão política meramente. Vamos para eleições, e, com base no inquérito que está a decorrer, por causa do atropelamento do cidadão que faleceu na autoestrada... Isto é uma atitude que o senhor ministro já tinha de ter tomado há muito tempo."

César Nogueira justifica estas declarações com a necessidade de o Ministério da Administração Interna precisar de novas políticas e de investimento. "Nós não temos por norma pedir a demissão de ministros, porque as coisas não se resolvem com as demissões. Resolvem-se é com a mudança de políticas."

Paulo Santos, da Associação Sindical dos Polícias, afirma que Cabrita não deixou uma imagem positiva junto da polícia. "O ministro Eduardo Cabrita, durante algum tempo, esteve envolvido em muitas polémicas, criou uma imagem negativa junto dos polícias e da população em geral, mas mais importante do que isso foi a incapacidade que teve de resolver os problemas concretos dos polícias e que existem na Polícia de Segurança Pública", sustenta o representante sindical. "Tanto este Governo como o senhor ministro não resolveram os problemas", argumenta, referindo-se às reivindicações já conhecidas: as tabelas remuneratórias, o subsídio de risco, o rejuvenescimento da instituição, o respeito pelo estatuto da pré-aposentação, a higiene e segurança no trabalho e o desgaste rápido na profissão.

De acordo com Paulo Santos, foram feitas várias propostas e nunca houve uma solução.

A demissão de Eduardo Cabrita surgiu horas depois de ser conhecido que o Ministério Público acusou o motorista que o conduzia de homicídio por negligência pelo atropelamento mortal de um trabalhador na autoestrada, em junho passado.

Francisca Van Dunem, ministra da Justiça, vai também ser ministra da Administração Interna. A governante assume funções já esta tarde. Os secretários de Estado, Antero Luís e Patrícia Gaspar, vão ser reconduzidos.

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