Polícias criticam poder político por desvalorizar casos de violência no desporto

Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia diz sentir que casos ocorridos em jogos de futebol são desculpabilizados com maior facilidade.

O caso dos insultos racistas proferidos contra Marega, este domingo em Guimarães, não surpreende a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP). O líder sindical, Paulo Rodrigues, aponta o dedo ao poder político e judicial na forma como os casos de violência ligados ao futebol têm sido tratados e lamenta mesmo que venham a ser sucessivamente "desvalorizados".

Em declarações à TSF, Paulo Rodrigues garante que "não pode haver nenhum responsável político que diga que não sabe" que a ASPP "tem feito tudo para denunciar" estes comportamentos. E quando os casos chegam mesmo a tribunal, a ASPP diz sentir que as situações "eram sempre desvalorizadas" pelos tribunais pelo facto de terem ocorrido num jogo de futebol.

"Sentíamos, por parte dos tribunais, que por aquele elemento ter praticado o ato no âmbito de um jogo de futebol, era mais desculpável." Perante estas observações, explica Paulo Rodrigues, é preciso que comecem a ser aplicadas penas exemplares.

Quanto ao caso específico de Guimarães, Paulo Rodrigues acredita que a atuação da polícia foi a mais correta e explica que, se houvesse detenções dentro do estádio, o resultado podia ser mais violento.

"Quando estamos numa bancada onde há 300 ou 400 adeptos e, de repente, há 10 ou 15 que criam problemas ou tomam atitudes que podem por em causa os outros adeptos, por norma a polícia vai lá". No entanto, caso a atitude dos adeptos não coloque em causa a segurança das pessoas que estão ao lado "a intervenção da polícia pode ser pior ainda do que identificar devidamente das pessoas", responsabilizando-as, levando-as a tribunal ou detendo-as.

Tentar identificar os intervenientes é uma das prioridades das forças de segurança porque, explica Paulo Rodrigues, "quando a polícia intervém numa bancada dá-se, por vezes o caos. O problema pode ser ainda pior."

No domingo, o avançado Marega pediu para ser substituído, ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, entre o Vitória de Guimarães e o FC Porto, por ter ouvido cânticos e insultos racistas de adeptos da formação vimaranense, numa altura em que os dragões venciam por 2-1, resultado com que terminaria o encontro.

Jogadores do FC Porto e também do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo.

Nas redes sociais, o avançado, que tinha marcado o segundo golo do FC Porto aos 60 minutos, explicou o que sentiu. Marega qualificou os adeptos que o insultaram como "idiotas", contestando ainda o comportamento da equipa de arbitragem, liderada por Luís Godinho, que disse não o ter defendido e ainda lhe ter mostrado um cartão amarelo.

"E também agradeço aos árbitros por não me defenderem e por me terem dado um cartão amarelo porque defendo a minha cor da pele. Espero nunca mais encontrá-lo num campo de futebol! Você é uma vergonha!", escreveu o maliano.

Esta segunda-feira, os dragões entregaram a Marega o prémio mérito e valores Porto, ilustrando essa mesma entrega junto a Otávio, distinguido pela Liga como o melhor jogador em campo no triunfo de domingo.

Otávio foi criticado por adeptos, por tentar acalmar e tentar impedir Marega de sair de campo, mas hoje o maliano fez questão de apoiar o médio brasileiro.

"É meu irmão! Ele apenas tentou acalmar-me como um irmão e eu sei que ele está comigo", escreveu o avançado na sua conta na rede social Instagram, agradecendo ainda a todos pelo apoio que tem sentido.

As reações de repúdio aos incidentes no Estádio D. Afonso Henriques surgiram de vários quadrantes, desde o desportivo, de clubes, entidades e outros jogadores, à esfera social e política, nomeadamente do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa.

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