"População está saturada e farta", mas task force admite dificuldade em avaliar impacto na saúde mental

A psicóloga que coordena a task force nomeada pelo Ministério da Saúde reconhece o seu ceticismo quanto à possibilidade de avaliar com exatidão o impacto do confinamento na saúde mental dos portugueses.

O grupo de trabalho criado pelo Governo no último mês, e que junta cientistas comportamentais que vão aconselhar o Executivo nesta fase de desconfinamento, já está operacional.

A task force nomeada pela ministra da Saúde é coordenada pela psicóloga Margarida Gaspar de Matos, que, em entrevista à TSF, confessa o seu ceticismo quanto à possibilidade de avaliar com exatidão o impacto do confinamento na saúde mental dos portugueses. É possível avaliar o impacto, diz, mas os grupos de controlo não são os ideais. "Não sei se isso vai ser feito da maneira como se deveria fazer cientificamente, uma vez que nós não temos medidas iniciais para agora fazer medidas finais às mesmas pessoas", admite a responsável.

O ideal mesmo teria sido avaliar pessoas antes e depois, bem como analisar indivíduos que não tivessem passado pela pandemia, o que é impossível. "Temos de ter uma espécie de aproximações, e podemos fazer isso perguntando às pessoas exatamente o que é que elas acham que mudou na vida delas e fazer isso através de estratégias de questionários e entrevistas. Isso está a ser feito, nomeadamente através da task force", esclarece Margarida Gaspar de Matos.

Este trabalho vai passar por entrevistar pessoas a cada 15 dias para obter respostas, e estar atento aos cidadãos que tenham maiores dificuldades no regresso à normalidade. A task force composta por psicólogos está a dedicar-se também às escolas, de forma a organizar "um conjunto de medidas para as crianças e os jovens terem este apoio no regresso à escola, para os professores e os pais estarem relativamente sensibilizados e até formados para conseguir tratar do ponto de vista psicológico crianças e adolescentes".

Margarida Gaspar de Matos deixa um apelo aos professores e pais para que estejam atentos a sinais que experienciem e para que reforcem o autocuidado.

O grupo de trabalho formado por cientistas comportamentais, criado há um mês para aconselha o Governo, sobretudo ao nível das mensagens que devem ser passadas à população, tem como objetivo ajudar a travar a pandemia e dar conforto e apoio no regresso ao dito normal.

"Temos de estar muito atentos às pessoas que não conseguirem esta recuperação com o tempo, porque estamos todos a pensar que 100% da população está saturada e farta. À medida que vamos regressando, eu penso que 70 ou 80% da população vai conseguir recuperar a sua vida, as suas rotinas e bem-estar. Temos de estar muito atentos às pessoas que não são capazes de fazer isso."

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