Portugal agiu mais cedo do que Itália e Espanha, mas pode servir de pouco

Escola Nacional de Saúde Pública também avisa que é cedo para tirar conclusões sobre a descida na percentagem de novos casos.

Os investigadores da Escola Nacional de Saúde Pública alertam que a descida percentual no número de novos casos de Covid-19 revelada nos últimos dias pelos dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) não é "um claro sinal de boas notícias".

A análise agora relevada por esta escola superior da Universidade Nova de Lisboa explica que "nos últimos quatro dias (desde 20 de março) temos assistido a um aumento percentual diário de novos casos entre 20 a 30%, enquanto nos 10 dias anteriores o aumento encontrava-se entre 30 a 50%".

"Esta redução, acompanhada de oscilações que não podem ser ignoradas, não indica um padrão claro e mesmo em países com cenários atualmente críticos, Itália e Espanha, este aumento percentual diário de casos também tem vindo a descer, não sendo por isso, um claro sinal de boas notícias", referem as conclusões.

Carla Nunes, coordenadora do estudo, detalha que "as curvas dos países analisados - Itália, Reino Unido e Espanha - têm uma evolução crescente acentuada, ou seja, são exponenciais no início, e que a curva de Portugal, à sua própria escala, segue o mesmo trajeto".

Ao emparelhar as datas de início das curvas de todos os países foi calculada a correlação entre o número de casos em Portugal e os outros países, sendo possível dizer que, "em termos médios, por cada 100 novos casos em Itália são esperados 11 em Portugal".

Quando a comparação é feita com o país vizinho, "em Espanha, por cada 100 novos casos esperam-se 26 em Portugal".

Portugal agiu mais cedo, mas...

O primeiro "Barómetro Covid-19" feito pela Escola Nacional de Saúde Pública, também comparou as medidas tomadas para combater o vírus e revela que Portugal agiu mais cedo que outros países como a Itália, a Espanha e o Reino Unido.

Os investigadores chegam à conclusão anterior quando analisam a data das medidas e o número de infetados, falecidos e dias decorridos desde que o novo coronavírus atingiu 50 pessoas em cada país.

"Contudo, fazendo uma análise per capita, pela dimensão da população, observa-se também que foi em momentos muito semelhantes que as medidas de combate ao COVID-19 foram efetivamente tomadas nos quatro países", explica o documento.

Segundo a Escola Nacional de Saúde Pública estes dados não permitem, para já, que se façam previsões sobre qual o cenário que vai existir e quais os resultados que serão alcançados, nomeadamente em Portugal tendo em conta as datas em que foram implementadas as medidas de combate à Covid-19.

Os seus efeitos "podem apresentar fortes limitações que se prendem com a eficácia das medidas tomadas em cada país", o que "pode ser influenciado pelas suas características estruturais, como o nível de educação e riqueza, pelas características do seu sistema de saúde ou pela definição de medidas concretas e específicas dirigidas a esta pandemia".

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