Portugal beneficiou da "experiência com os afegãos para o acolhimento dos ucranianos"

Primeiros refugiados do Afeganistão chegaram há cerca de um ano a Portugal. Em declarações à TSF, a Alta Comissária para as Migrações, sublinha que o processo para trazer os refugiados "foi montado com o contributo de várias entidades na administração central, e também a nível local".

Os talibãs tomaram o poder no Afeganistão há pouco mais de um ano, depois de o exército dos Estados Unidos ter deixado o país. A súbita saída dos norte-americanos levou a que milhares de afegãos quisessem sair do pais. Muitos desses afegãos trabalhavam para os militares estrangeiros que estavam no país, incluindo portugueses.

Quatro militares das forças armadas portuguesas não quiseram deixar para trás quem tanto os ajudou e decidiram ir buscá-los. O processo para trazer e integrar os refugiados afegãos foi montado com a ajuda do Alto Comissariado para as Migrações.

Sónia Pereira, Alta Comissária para as Migrações, sublinha que o processo para trazer os refugiados "foi montado com o contributo de várias entidades na administração central, e também a nível local, que permitiu que, hoje, a grande maioria, perto de 500, já tenha número de identificação fiscal, perto de 600 já têm número de identificação da segurança social, e mais de 600 já têm número de utente do Serviço Nacional de Saúde, o que consideramos que é fundamental para poderem ter acesso aos mecanismos de integração na sociedade portuguesa".

Cerca de um ano depois, os afegãos estão praticamente integrados na sociedade. "À chegada, e dos casos que pudemos acompanhar naquele momento inicial, o sentimento era de segurança e de confiança também no estado português e no modelo de acompanhamento que estava a ser mobilizado para os receber e acolher. Os processos de integração não são fáceis, acontecem ao longo do tempo, e é muito importante também para as entidades que participam nestes processos entenderem que é assim, que muitas vezes têm altos e baixos, e que no fundo é importante não desistir e ir trabalhando para ultrapassar as dificuldades. Há uma grande preocupação por parte destes cidadãos com as famílias que ficaram no Afeganistão. E esta é também a fase em que nos encontramos agora: alguma estabilidade na sua residência em Portugal, mas uma preocupação com os familiares que se encontram, ou no Afeganistão, ou nos países vizinhos. E esse acompanhamento é necessário", sublinha Sónia Pereira.

Se há um ano, foram os afegãos que foram acolhidos em Portugal, há cerca de seis meses foram os ucranianos, que fugiam do conflito com a Rússia, que procuraram o nosso país.

A Alta Comissária para as Migrações entende que a experiência do acolhimento dos refugiados do Afeganistão "foi útil para o modelo que se montou no acolhimento da Ucrânia, aí já com uma escala muito superior. Mas são processos que nos ajudam a entender melhor a atuação que é necessária, quer por parte das entidades públicas, quer a necessidade de atuação com a sociedade civil, e também as necessidades que os próprios refugiados vão enfrentando ao longo do tempo, para termos uma capacidade de resposta que não é apenas no momento inicial. Muitas vezes é aquele que é mais marcante. Mas para termos uma capacidade de resposta que se prolongue ao longo do tempo".

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