Portugal deve começar o ano com mais de 600 mil pessoas em isolamento

Matemático destaca na TSF que a Medicina Familiar pode não conseguir emitir baixas e altas em números tão elevados e alerta que Portugal tem apenas um quarto do número de rastreadores de que necessita.

Portugal pode chegar à próxima semana, a primeira de 2021, com mais de 600 mil pessoas em isolamento profilático devido à Covid-19. As contas são do matemático Carlos Antunes que, em declarações à TSF, antevê dificuldades na área da Medicina Familiar.

A estimativa de Carlos Antunes aponta para que, "provavelmente, para a semana ultrapassaremos as 600 mil pessoas em isolamento profilático", algo que terá um impacto "muito grande no absentismo".

Estes números vão provocar uma "incapacidade lata da Medicina Familiar para passar baixas e as respetivas altas", dado que quem esteja infetado, não tendo baixa, "não sabe se há de ficar em casa, se há de ir trabalhar".

Carlos Antunes reconhece que tudo isto vai levar "a um certo caos instalado e a uma certa desordem", fruto de um "aumento abrupto e de impreparação para lidar com uma situação que muda de forma tão rápida e tão repentina", mas que estávamos já "avisados de que ia acontecer".

Portugal com "menos de um quarto" dos rastreadores de que precisa

O país regista atualmente uma média de "14 mil casos" diários e "200 mil testes por dia", mas para manter a taxa de positividade "controlada abaixo dos 4%" é preciso aumentar este número para 350 mil. Isto, num momento em que a "positividade em termos de PCR está já na ordem dos 20%, que é o que atingimos em janeiro" deste ano.

Para a média atual de casos diários, explica Carlos Antunes, "necessitaríamos de 2300 rastreadores", mas o relatório das linhas vermelhas da semana passada "indicava que tínhamos na ordem dos 490 ou perto de 500".

Assim, "temos menos de um quarto do que necessitamos, em termos de recursos humanos, para o rastreio epidemiológico".

Com a adoção de medidas graduais de controlo de casos e de combate à pandemia, surge também a necessidade de discutir os prós e os contras de um novo confinamento. Até agora, a vacinação tem a "grande vantagem de reduzir o impacto da doença em termos de internamentos e severidade", mas "não tem grande eficiência" para controlar a infeção pelo SARS-CoV-2.

Para controlar esta dimensão da transmissibilidade doença, é preciso recorrer a "medidas não farmacológicas de elevada restrição", como a supressão de contactos.

"É um preço que podemos não querer pagar, podemos querer arriscar outra alternativa", reconhece o matemático. Mas, para tal, é preciso avaliar "os prós e os contras, o impacto em termos de risco económico e social, e o impacto em termos de risco de saúde pública e cuidados primários".

Há, por outro lado, a possibilidade de levantar as barreiras impostas à circulação do vírus, com uma aposta na construção de imunidade natural, mas para Carlos Antunes essa hipótese levanta mais perguntas do que as respostas que oferece: "Qual é o impacto que isso terá nos cuidados de saúde primários, por exemplo, ao nível da long Covid? Que impacto terá deixar o vírus circular livremente, sem qualquer barreira, com a transmissibilidade que tem? Qual é a probabilidade de surgirem novas variantes com tanta transmissão? Qual o impacto de ter uma carga viral circulante tão elevada?"

O mais recente boletim epidemiológico da DGS dá conta de um novo máximo de casos diários de Covid-19 em Portugal: 26.867. Há ainda a registar 12 mortes nas últimas 24 horas.

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