Portugal deve voltar aos 120 casos por 100 mil habitantes em "dois ou mais meses"

A variante britânica do vírus representa 82,9% dos casos identificados no início de março, revela o INSA.

Portugal só deve atingir uma taxa de incidência de 120 casos por 100 mil habitantes daqui a dois ou mais meses, isto se se mantiver o atual ritmo de crescimento deste indicador, estima o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), que alerta que os efeitos da Páscoa e do desconfinamento podem sentir-se "nas próximas semanas".

"O número de novos casos de infeção por SARS-CoV-2/COVID-19 por 100 000 habitantes, acumulado nos últimos 14 dias, foi de 66, com tendência ligeiramente crescente a nível nacional. Estima-se que o tempo de duplicação da incidência seja de 86 dias, o que significa que, à atual taxa de crescimento, será preciso dois ou mais meses para atingir a linha de 120 casos por 100.000 habitantes", lê-se no segundo relatório de monitorização das linhas vermelhas para a Covid-19.

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No documento revelado este sábado, o INSA assinala também que o Alentejo, com um índice de transmissibilidade (Rt) de 0,99, regista um valor abaixo de 1. A nível nacional , o Rt situa-se em 1,02.

O indicador tem vindo a aumentar "desde 10 de fevereiro de 2021", mas na região do Algarve "observa-se uma redução do Rt em comparação com último relatório (1,19 para 1,05) sugerindo o desacelerar do aumento da incidência na região".

O número diário de internados em Cuidados Intensivos também vem a decrescer e, a 7 de abril, era de 122, um número "inferior ao valor crítico definido (245 camas ocupadas)".

A proporção de testes positivos para SARS-Cov-2, de 2 a 8 de abril, foi 1,5%, "valor que se mantém abaixo do objetivo definido de 4%". Nos últimos sete dias realizaram-se 238 821 testes e todos os casos positivos daí resultantes "foram isolados em menos de 24 horas após a notificação", com um rastreio e isolamento de "95,0% dos seus contactos".

Variante britânica representa quase 83% dos casos em Portugal

Os dados analisados pelo INSA e que são "essencialmente" relativos à primeira quinzena de março indicam que a variante B.1.1.7, que é associada ao Reino Unido, "representava já 82.9% dos casos de
infeção" em Portugal.

Foram também identificados 52 casos da variante B.1.351, associada à África do Sul, "através da avaliação de casos suspeitos indicados pelas Autoridades de Saúde ou através de ensaios laboratoriais de pre-screening", mas a sequenciação em larga escala "indicou uma frequência relativa desta variante de 2.5%, indiciando valores na população superiores aos acima confirmados".

O INSA identificou também 29 casos da variante P.1 (associada a Manaus), e a sequenciação em larga escala "em março indicou uma frequência relativa desta variante de 0.4%", algo que confirma "a sua reduzida circulação no território nacional".

Os dados analisados pelo instituto sugerem que a transmissão comunitária é de "moderada intensidade e reduzida pressão nos serviços de saúde", embora tenha sido registado "um ligeiro aumento da transmissão nas faixas etária mais jovens, mas com menor risco de evolução desfavorável da doença"

O INSA admite que os efeitos da Páscoa e o início do desconfinamento podem ainda refletir-se "nas próximas semanas".

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