Não acontecia há 50 anos: Portugal perde população e reforça litoralização, sobretudo em Lisboa

País tem hoje menos cerca de 200 mil pessoas do que em 2011.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou, esta quarta-feira, os resultados preliminares do recenseamento geral da população. Os números revelam que a população residente em Portugal é agora de 10.347.892 pessoas, ou seja, um decréscimo populacional de 2% (menos 214.286 habitantes do que em 2011). O saldo migratório positivo não foi suficiente para compensar a redução da população portuguesa.

Há agora em Portugal 4.917.794 homens (48%) e 5.430.098 mulheres (52%).

Segundo o INE, em termos censitários, a única década em que já se tinha verificado um decréscimo populacional tinha sido entre 1960 e 1970.

Em paralelo, os dados recolhidos pelo INE "acentuam o padrão de litoralização e concentração da população junto da capital": "O Algarve (+3,7%) e a Área Metropolitana de Lisboa (+1,7%) são as únicas regiões que registam um crescimento da população, sendo o Alentejo aquela que regista o decréscimo mais expressivo".

As restantes regiões perderam população, com o Alentejo a observar a quebra mais expressiva, com -6,9%, seguindo-se a Região Autónoma da Madeira, com -6,2%, mas também o Centro e os Açores, com menos cerca de 4%, e o Norte, com menos 2,4%.

O INE conclui que a última década, entre 2011 e 2021, "reforçou o movimento de concentração da população junto da capital".

Lisboa, Sintra e Gaia no top dos concelhos mais populosos

Quanto aos dez municípios mais populosos, quase não há novidades. Lisboa está na frente, com mais de meio milhão de habitantes, no entanto perdeu população: 1,4%. No pódio estão ainda Sintra e Vila Nova de Gaia.

O Porto está em quarto lugar, aí não há alterações. No entanto, comparado com 2011, percebe-se que perdeu cerca de 5.600 habitantes, ou seja, 2,4%

Ainda do Top 10 de população, o município que mais cresceu foi Braga. Ganhou quase 12 mil habitantes - um aumento de 6,5% face aos Censos de 2011.

Quanto a trocas de posição, só uma: Matosinhos cedeu o oitavo lugar a Almada. O concelho do grande Porto perdeu quase 3 mil habitantes, Almada ganhou ainda mais do que isso e passou a ser o oitavo concelho mais populoso.

Do outro lado da tabela, ou seja, nos concelhos com menor população, o cenário é ainda pior do que era há dez anos: o Corvo, o concelho menos populoso de Portugal, está ainda mais pequeno. Em 2011 viviam por lá 430 pessoas, agora são 386. Uma perda superior a 10%.

Um movimento que também é evidente nos três concelhos menos povoados do continente. Estão todos no Alentejo: Barrancos perdeu 21,8% da população, do Alvito desapareceram 9,1% dos habitantes e de Mourão foi-se 11,6% da população.

Odemira teve o maior crescimento e Barrancos a maior queda

Os dados divulgados pelo INE indicam que, "em termos relativos, Odemira com 13,3% (mais 3.457 residentes) e Mafra com 12,8% (mais 9.838 residentes) foram os municípios que registaram os maiores acréscimos populacionais na última década, seguindo-se Palmela, Alcochete e Vila do Bispo, com valores entre os 9,6% e os 8,8%".

Em decréscimo populacional, os cinco municípios que se destacam são Barrancos (-21,8%), seguindo-se Tabuaço (-20,6%), Torre de Moncorvo (-20,4%), Nisa (-20,1%) e Mesão Frio (-19,8%), revelou o INE.

Comparativamente a 2011, o concelho de Odemira, no distrito de Beja, aumentou de 26.066 para 29.523 habitantes. No extremo oposto, no município de Barrancos, no distrito de Beja, o número de habitantes caiu de 1.834, em 2011, para 1.435, em 2021.

Metade da população concentra-se em apenas 31 municípios

Cerca de 50% da população residente em Portugal concentra-se em 31 dos 308 municípios, localizados maioritariamente nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, segundo os resultados preliminares dos Censos 2021.

"Nos últimos 10 anos, dos 308 municípios portugueses, 257 registaram decréscimos populacionais e apenas 51 registaram um aumento. Na década anterior tinham assistido a quebras populacionais 198 municípios", indicou o INE.

Número de casas aumenta mas a ritmo "bastante inferior"

Portugal registou um ligeiro aumento no número de edifícios e alojamentos para habitação, mas a um "ritmo bastante inferior" ao registado em décadas anteriores.

"De acordo com os Resultados Preliminares dos Censos 2021, o número de edifícios destinados à habitação era de 3.587.669 e o de alojamentos de 5.961.262, valores que face a 2011 representam um aumento de 1,2% e 1,4%, respetivamente", concluiu a autoridade estatística.

No entanto, o crescimento do parque habitacional entre 2011 e 2021 é bastante inferior ao verificado na década anterior, quando os valores se situavam na ordem dos 12% para edifícios e 16% para alojamentos. Por regiões, os Açores e o Algarve registaram o maior crescimento no número de edifícios e de alojamentos destinados à habitação, com subidas de 2,8% e 2,5% ao nível dos edifícios, respetivamente, e 2,8% nos alojamentos, em ambas as regiões.

Em 2021, o número médio de alojamentos por edifício em Portugal é de 1,7, um valor que se mantém desde 2011. A Área Metropolitana de Lisboa é a região que regista o valor mais elevado, com 3,3 alojamentos por edifício, enquanto os Açores e o Alentejo registam os valores mais baixos, de 1,1 e 1,2, respetivamente.

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