"Portugal pode não estar preparado para enfrentar coronavírus"

"Portugal não aprendeu com epidemias como a gripe aviária e a infeção respiratória aguda grave e agora o país pode não estar preparado para enfrentar o coronavírus". O alerta é de um grupo de peritos em saúde, num artigo da revista científica da Ordem dos Médicos.

Raquel Duarte, pneumologista e uma das autoras do artigo da revista científica da Ordem dos Médicos, defende que o primeiro caso suspeito de coronavírus em território nacional mostrou alguma falta de preparação.

"A DGS está a escalar os alertas, penso que analisou bem as potenciais falhas quando lidaram com o caso suspeito. É preciso trabalhar a comunicação. As instituições estão a fazer os planos locais de contingência e os profissionais têm que ser treinados e saber qual o papel deles perante um caso suspeito. O primeiro caso suspeito em Portugal teve algumas coisas que correram menos bem e que devem ser encaradas como uma oportunidade para fazer melhor. É preciso definir o que fazer com o indivíduos suspeitos, o mecanismo de comunicação e transporte do indivíduo, lidar com as pessoas que estiveram expostas... Tudo isso tem que estar treinado e bem oleado."

Este grupo de médicos sublinha que a prioridade deve ser travar a propagação do coronavírus e para tal, dizem, "é necessário estarmos preparados para a epidemia como os militares se preparam para a guerra".

"Já estivemos preparados para outras situações anteriores semelhantes, os profissionais de saúde já estiveram treinados. Já devíamos estar em velocidade cruzeiro, as pessoas vão perdendo o treino. Bill Gates dizia que devemos estar preparados para as epidemias como os militares se preparam para a guerra, e é isso. Os planos têm que estar definidos, nós treinados para quando essas situações surgir todos saberem qual é o seu papel."

Para a pneumologista Raquel Duarte, a Direção Geral de Saúde tem dado as orientações certas. " A DGS tem escalado o nível de alerta de acordo com a gravidade da situação, é necessário que haja uma comunicação clara, simples e transparente para a comunidade. Mas as instituições locais têm que ter planos definidos. Já passamos por vários desafios e de cada vez que estivermos expostos devemos ser capazes de fazer melhor."

Este alerta foi publicado esta quinta-feira na revista científica "A Acta Médica Portuguesa", num artigo assinado por Raquel Duarte (da Faculdade de Medicina do Porto), Isabel Furtado (do serviço de infecciologia do Centro Hospitalar Universitário do Porto), Luís Sousa (da ARS Norte) e Carlos Carvalho (do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar).

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