Portugueses em Moçambique desesperam por voo de repatriamento

Ministro aguarda decisão das autoridades moçambicanas para realizar voo coordenado pelo Estado português. Casos urgentes prendem-se com dificuldades financeiras por perda de rendimentos e necessidade de cuidados médicos em Portugal.

Mais de 200 portugueses em Moçambique aguardam por um voo de repatriamento para Portugal, enfrentando "dificuldades financeiras ou problemas de saúde", sem saberem quando poderão sair do país.

Com Moçambique em estado de emergência desde 1 de abril, por causa da pandemia da Covid-19, e sucessivamente prorrogado até 29 de junho, as autoridades moçambicanas encerraram o espaço aéreo, tendo a TAP cancelado todos os voos programados até ao fim de junho, temendo-se que a situação se arraste para lá dessa data.

"Há gente que era para ir em março, ainda cá está, não há aviões para sair daqui", lamenta Carlos Amaral que viu reagendado o seu voo para dia 2 de agosto, "sem garantia que vá mesmo nessa data, porque não se sabe se o estado de emergência vai continuar ou não".

Entre os portugueses que pediram apoio ao Consulado geral de Portugal em Maputo encontram-se casos de dificuldades financeiras decorrentes da perda de trabalho e de rendimentos, outros que precisam de cuidados médicos e outros ainda que desesperam por voltarem a ver os filhos menores, separados pela pandemia desde há três meses. "Não estamos a falar de uma birra de gente que quer ir embora para fazer férias", argumenta Carlos Amaral.

A pandemia deixou Ruth Filipe, decoradora e organizadora de eventos, sem trabalho, obrigando-a a fazer as malas para regressar. Com o voo cancelado, renegociou a permanência na habitação onde reside, mas já despojada de praticamente todos os bens. "Eu e o meu filho estamos a viver num acampamento porque já se vendeu camas, mesas, cadeiras, tudo. Estamos numa casa quase vazia, sem frigorífico, sem condições nenhumas. Se isto continuar vamos ficar numa situação ainda mais complicada", descreveu à TSF.

No grupo de portugueses que querem regressar há ainda um caso de "uma grávida de praticamente 35 semanas que se não viajar até ao fim de junho é obrigada a ter o bebé aqui, onde os partos têm custos absurdos", acrescenta Ruth Filipe.

Carlos Amaral pede celeridade no processo de repatriamento, reclamando um tratamento idêntico ao de outros portugueses espalhados pelo mundo: "As autoridades competentes aparecem a fazer um grande alarido a dizer: "Conseguimos repatriar mais não sei quantos da Venezuela. Então e nós que estamos aqui? Ninguém nos liga nenhuma", critica.

Ministro Santos Silva aguarda autorização para repatriamento

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, revelou que já solicitou às autoridades de Moçambique autorização para a realização de um voo coordenado pelo Estado português para repatriamento de cidadãos portugueses naquele país, confirmando ter conhecimento do "interesse e necessidade" manifestado por "várias dezenas de portugueses" junto dos consulados em Moçambique de voar para Portugal.

"Tive uma reunião telefónica com a senhora ministra das Relações Exteriores aqui há uns dias e um dos temas do encontro foi exatamente este, pedindo a melhor atenção das autoridades moçambicanas para a possibilidade de se poder reatar a ligação comercial regular entre Maputo e Lisboa, porque essa, evidentemente, é que é a solução. Como sabemos que durante o mês de junho a ligação aérea regular está suspensa tomamos a iniciativa de pedir autorização para a realização de um voo com coordenação do Estado português", revelou à TSF o ministro Santos Silva.

O governante aguarda agora pela decisão das autoridades moçambicanas, sem se comprometer com prazos para a retoma das ligações aéreas entre Maputo e Lisboa. "Vamos ver. Em princípio o estado de emergência em Moçambique terminará no fim de junho, até porque, por razões de ordem constitucional, não poderá ser prorrogado", adiantou.

Com 651 infetados e 4 mortos por Covid-19, Moçambique encontra-se em estado de emergência desde 1 de abril, em vigor até 29 de junho.

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