Governo diz que portugueses em Timor "podem regressar se comparticiparem custos"

Mais de 200 pessoas estão inscritas para o voo. Regresso a Portugal será comparticipado em 50%.

A Embaixada de Portugal em Díli informou, esta quinta-feira, que é esperado "nos próximos dias" em Díli um voo para transportar para Lisboa professores, cooperantes e outros cidadãos portugueses em Timor-Leste. A informação sobre o voo foi comunicada por email aos mais de 200 portugueses que já confirmaram a sua vontade de partir.

Em declarações à TSF, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, confirmou que o voo poderá seguir para Díli nos próximos dias, mas os participantes portugueses terão de comparticipar o valor da viagem para Lisboa.

"São precisas autorizações não só das autoridades timorenses, para o avião poder aterrar, como de outras autoridades internacionais para o sobrevoo. Estamos na fase de procurar essas autorizações, portanto, espero que, nos próximos dias, o voo se realize", adiantou o ministro.

"Os professores que queiram regressar a Portugal nesse período, em virtude das dificuldades hoje existentes para ligações comerciais, terão à sua disposição um voo fretado pelo Estado português, que poderão usar (...) comparticipando, em parte, os custos da operação necessária", explicou.

O 'email' informa as pessoas que já estão inscritas para o voo -- mais de 200 -- que a viagem deverá acontecer "nos próximos dias" estando apenas a aguardar-se "autorizações de escala e sobrevoo de alguns países".

Os viajantes devem estar preparados "para partir em breve (...). Serão informados assim que o voo saia de Lisboa, de modo a que possam ultimar os preparativos, evitando por outro lado que, quem se encontre fora de Díli, se desloque com demasiada antecedência", refere a embaixada.

No email é explicado que o voo é comparticipado em 50%, pelo que cada passageiro terá que pagar 1.300 euros "mediante um compromisso de reembolso", tendo que para isso assinar um documento em que garante o pagamento ao Estado por transferência bancária.

A 28 de março os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Educação portugueses anunciaram, em comunicado conjunto a operação de transporte aéreo para regresso temporário a Portugal de professores sem atividades letivas presenciais.

Essa operação estava condicionada à manutenção da decisão de fecho de escolas que ficou confirmada no decreto das medidas do estado de emergência aprovado no sábado.

"A operação destina-se primordialmente a apoiar o regresso temporário de professores sem atividades letivas presenciais, nos termos a definir pelas entidades competentes, e seus familiares diretos", sublinhava o comunicado.

Fontes dos vários projetos em curso confirmaram à agência Lusa que nem todos os professores destacados em Timor-Leste querem regressar, tendo a oportunidade de utilizar o voo sido oferecida a outros cooperantes no país e, posteriormente, a outros cidadãos portugueses que pediram apoio consular, mas segundo vários critérios, inclusive estado de saúde.

A informação mais recente indica que já confirmaram a sua vontade de partir cerca de 90 dos 135 professores destacados nos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), um projeto lusotimorense espalhado por todos os municípios do país.

Somam-se 48 dos 66 professores em mobilidade e de contratação local na Escola Portuguesa de Díli mais os seus familiares e acompanhamentos, num total de 61.

Aproveitam ainda um número reduzido de outros cooperantes e seus familiares.

Até ao momento a Embaixada de Portugal não confirmou o total de lugares do avião nem a data prevista de partida de Timor-Leste.

Alguns portugueses, incluindo pelo menos duas professoras do projeto CAFE, viajaram no fim de semana em voo comercial para Bali de onde poderão partir, em breve, com outras ligações aéreas para Portugal.

Timor-Leste, onde residem um total estimado de cerca de mil portugueses, tem um caso confirmado de Covid-19 e está em estado de emergência desde sábado.

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Notícia atualizada às 10h30

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