Portugueses pouco ou nada sabem sobre a forma como são gastos os fundos europeus

Muitos têm ideias completamente erradas.

Os portugueses pouco ou nada sabem sobre a forma como são usados os fundos europeus. A conclusão é de uma sondagem que será apresentada sexta-feira no Fórum Políticas Públicas, no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

Por exemplo, a resposta mais comum dos portugueses (18%) quando questionados sobre os setores que recebem mais verbas de Bruxelas aponta para a saúde. Contudo, na realidade, o último programa europeu (o Portugal 2020) apenas destinou 1% dos fundos para este setor.

Na modernização do Estado a desproporção é semelhante com 12% das escolhas dos inquiridos e apenas 2% do dinheiro europeu.

Em paralelo, 10% acreditam que as empresas são o setor mais apoiado, quando, na verdade, estas se destacam no topo da lista com 32% dos fundos europeus recebidos nos últimos anos.

Ricardo Paes Mamede, investigador e economista, acrescenta, em declarações à TSF, que além de pouco saberem muitos portugueses não conseguem identificar um único projeto financiado pelo dinheiro de Bruxelas, "algo estranho sabendo que há bandeiras da União Europeia (UE) espalhadas um pouco por todo o sítio onde andamos".

Com tanto desconhecimento, é normal que os portugueses não consigam avaliar a forma como os governos gastam o dinheiro comunitário.

"Se nós pensarmos que o grosso da despesa com investimento do Estado em Portugal é feita com estes fundos e que as pessoas não sabem bem como é que os fundos estão a ser utilizados, isso significa que há uma parte muito importante daquilo que é governar que está muitíssimo distante da perceção da generalidade dos cidadãos, o que é um fator de enfraquecimento da democracia", conclui Ricardo Paes Mamede, que admite que assim é muito difícil, às pessoas, tomarem decisões claras, nomeadamente em eleições.

Recorde-se que com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), também conhecido como a "bazuca europeia", vai trazer para Portugal cerca de 60 mil milhões de euros nos próximos anos.

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