Pradarias marinhas do Sado. Ecossistema em risco conhecido na Cimeira do Clima

As pradarias marinhas do Sado estão ameaçadas pela possibilidade das dragagens que ali serão feitas para aumentar o porto de Setúbal.

Investigadores de todo o mundo ficaram esta sexta-feira a conhecer um ecossistema muito particular do território português, no âmbito da Cimeira do Clima, em Madrid. Trata-se das pradarias marinhas do Sado, que podem estar em risco com a iminência das dragagens que ali vão ocorrer para ampliar o porto de Setúbal.

É na base deste estuário que as espécies protegidas encontram abrigo, alimento e espaço para nidificar. A bióloga marinha Raquel Gaspar explicou à TSF a importância da preservação deste lugar: "Existe uma importante comunidade de cavalos-marinhos no estuário. É o sítio onde as presas dos golfinhos se alimentam ou crescem, onde o peixe ou marisco que nós comemos encontra uma maternidade, um sítio de crescimento."

Uma das vozes da Ocean Alive, Raquel Gaspar luta contra o desaparecimento deste sistema natural ameaçado pelas dragagens do Sado para ampliar o porto de Setúbal.

"No âmbito das alterações climáticas, este ecossistema é o terceiro no nosso planeta com mais capacidade de sequestrar carbono. Estas plantas fazem o género de uma armadilha para o carbono, para a matéria orgânica que está na água", esclarece. "Se estas plantas morrerem, este carbono, que está selado através das suas raízes, vai ficar liberto."

Apresentado a investigadores de todo o mundo, o projeto português Ocean Alive lembra o impacto das dragagens nos ecossistemas que combatem de forma natural as alterações climáticas. "Não só vão contaminar todo o ecossistema - todos os poluentes que estão selados no leito deste estuário voltam para a cadeia alimentar -, como irão escurecer esse sistema natural, que já tem pouca luz, e prejudicar as plantas e as algas que estão na base da cadeia alimentar", alerta a bióloga marinha.

Na perspetiva de Raquel Gaspar, faz todo o sentido que esta iniciativa tenha sido dada a conhecer no evento mundial que aponta a urgência da mudança de atitude face aos perigos da ação humana. "É hoje que temos de deixar de destruir, que temos de recuperar e de proteger os ecossistemas naturais, que são a base da nossa sobrevivência", argumenta.

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