"Precisamos de resolver a pobreza que aumenta." Manifestação da CGTP promete juntar milhares em Lisboa

Mediante as respostas que sejam dadas aos problemas dos trabalhadores, reformados e pensionistas, a CGTP admite "outras formas de luta", incluindo uma greve geral.

A CGTP encerra esta quinta-feira mais de um mês de luta com uma manifestação nacional, que trará a Lisboa milhares de trabalhadores de todo o país e setores, para reclamarem aumentos salariais e melhores condições de vida. À TSF, a secretária-geral da CGTP explica que há um conjunto de problemas que afetam os trabalhadores, reformados e pensionistas que precisam de "resolução imediata", numa altura em que a pobreza no país aumenta.

"Exige-se o aumento dos salários agora. Não é para o ano, não é daqui a não sei quanto tempo. Podemos discutir tudo - acordos de rendimentos e de salários - mas precisamos de resolver, neste momento, a pobreza que aumenta entre quem trabalha, que já era enorme", diz Isabel Camarinha, assinalando que "1 1,2% dos trabalhadores em Portugal trabalham o dia inteiro e são pobres."

Paralelamente, os reformados e os pensionistas "têm pensões que não lhes permitem garantir as necessidades básicas".

Um cenário agravado a cada dia com o poder de compra a cair e a inflação a galopar sem que sejam implementadas medidas que impeçam e regulem os preços, critica também Isabel Camarinha: "Esta especulação por parte dos grandes grupos económicos, nomeadamente da energia, da distribuição e outros, que estão a aproveitar para aumentar os seus lucros e não há medidas que impeçam esta especulação e que regulem os preços e que aumentem os salários."

No futuro, conforme as respostas que sejam ou não dadas a estes problemas, a CGTP admite recorrer a "outras formas de luta, se necessário", incluindo uma greve geral.

"A questão não é se vamos ou não fazer uma greve geral mais à frente. A questão é que, neste momento, os trabalhadores estão a realizar estas lutas dirigidas a quem pode dar as respostas e vamos continuar a luta. Conforme a situação desenvolva, conforme a resposta venha ou não, depois se verá outras formas de luta se for necessário. A greve geral é uma forma de luta que pode sempre ser utilizada se os trabalhadores considerarem que esse é o momento de unirem ainda mais a sua determinação e a sua intervenção", afirma.

Para Ana Pires, da comissão executiva da Intersindical, o foco está no dia de hoje. "Hoje é o momento da convergência das lutas e reivindicações das últimas semanas, é o momento de dar voz aos trabalhadores, que vêm de todo o país e vão certamente continuar a lutar por melhores condições de vida e de trabalho".

Apesar de não querer fazer previsões, a sindicalista disse esperar "uma participação com bastante significado", tendo em conta a mobilização confirmada pela organização e os transportes fretados.

"Quando lançámos esta ação de luta nacional, no dia 27 de maio, apelámos à intensificação da luta reivindicativa porque consideramos que, para o momento extremamente difícil que estamos a viver, eram necessárias formas de luta extremamente significativas", afirmou.

Ana Pires lembrou as dificuldades que se tem vindo a agravar para as camadas mais desfavorecidas da população, devido aos baixos rendimentos e ao elevado custo de vida.

A CGTP realizou a 27 de maio uma concentração junto a Assembleia da República, no dia em que foi votado o Orçamento do Estado, dando inicio a mais de um mês de lutas, sob o lema "Pelo aumento dos salários e pensões | Contra o aumento do custo de vida e ataque aos direitos".

"Ao longo do mês de junho e início de julho, tivemos milhares de ações de luta, desde greves, concentrações e plenários, nos locais de trabalho e na rua, de todas as regiões, de todos os setores, com os trabalhadores a afirmarem as suas reivindicações concretas", referiu Ana Pires.

De acordo com a sindicalista, a manifestação de hoje será uma forma de "convergência de todas as lutas em curso", para os trabalhadores mostrarem "a sua indignação face ao aumento do custo de vida, ao ataque ao poder de compra e aos direitos, ao aumento das desigualdades, das injustiças e da pobreza".

Os manifestantes vão exigir o aumento geral de salários para todos os trabalhadores, das pensões para os reformados e pensionistas, a redução do horário de trabalho, a erradicação da precariedade, o emprego com direitos e uma legislação laboral que contribua para a valorização do trabalho e dos trabalhadores.

A manifestação nacional parte ao início da tarde do Marquês de Pombal para a Assembleia da República, onde intervirá a Interjovem, organização de jovens trabalhadores, e a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha.

Do distrito de Viana do Castelo seguem meia centena de manifestantes num autocarro. Levam farnel, cartazes, bandeiras, lonas e bombos.

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