"Preço abaixo do valor de custo." Privados "recebem pouco" mas não viram costas ao país

Óscar Gaspar afirma à TSF que o ministério da Saúde deve dizer quanto custa um doente com Covid-19.

Durante a primeira vaga da pandemia em Portugal, não foi preciso recorrer aos hospitais privados. Para a segunda onda, o Governo viu-se obrigado a melhorar o valor a pagar às unidades fora do Serviço Nacional de Saúde.

Na conferência de imprensa de atualização dos números da pandemia, Marta Temido afirmou que para aliciar os privados foi preciso melhorar o valor tabelado. Ainda assim, a Associação de Hospitalização Privada considera o valor baixo.

O preço de internamento de doentes Covid-19 em hospitais privados era de 1962 euros, sendo agora 2495 euros. Nos cuidados intensivos, o preço foi desdobrado em duas fases: ventilação inferior a 96 horas, corresponde a 6036 euros, e ventilação superior a 96 horas, são 8491 euros.

Óscar Gaspar, presidente da Associação de Hospitalização Privada, considera que o preço é baixo, mesmo revisto em alta. "Este é um preço abaixo do valor de custo, mas não é por isso que os hospitais privados vão deixar de comparticipar nesta luta nacional", garante à TSF.

Óscar Gaspar afirma, no entanto, que era importante que o ministério da Saúde dissesse quanto custa um doente com Covid-19, "a bem da transparência nacional".

A ministra da Saúde explicou que em abril de 2020 não havia histórico de tratamento de doentes com Covid-19. O Governo adotou, por isso, valores aproximados para o financiamento no Serviço Nacional de Saúde.

"Já temos oito meses de dados sobre o custo de tratamento de doentes de Covid-19. Fizemos a revisão do preço. Aumentamos um dos preços e desdobramos outro", adianta.

No SNS, o preço é de 2759 euros, variando para cada doente. Marta Temido sublinha que "os preços foram apurados pela base nos custos, com uma margem superior de 10%".

Para doentes não-Covid, não houve qualquer alteração tabelada.

Os hospitais privados já ofereceram cerca de cem camas para responder aos internamentos. A ministra da Saúde adianta que há negociações com outras entidades privadas.

A Associação de Hospitalização Privada adianta que a CUF já disponibilizou camas em Lisboa e Porto, tal como o Hospital da Luz e o Grupo Trofa, principalmente no Norte do país. No Porto, vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde articularam-se com o Grupo Lusíadas.

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