"Preocupa-nos deveras." Sindicato da PSP alerta para aumento da violência contra polícias e pede "reflexão"

Desde o início do ano, já foram agredidos 1325 agentes da autoridade em serviço, de diversas formas.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) garante que a violência contra polícias tem sido cada vez maior, situação que exige "uma reflexão" a vários níveis.

Paulo Santos reagia assim aos dados avançados esta quinta-feira pelo Jornal de Notícias: desde o início do ano, já foram agredidos 1325 agentes da autoridade em serviço, de diversas formas. Em média, seis agentes da PSP e militares da GNR sofreram agressões, todos os dias, desde o início de 2022.

"Aquilo a que temos assistido, uma realidade um pouco mais específica, tem a ver com o aumento da violência nas ocorrências policiais e da sua complexidade que se traduz depois numa gravidade maior ao nível das agressões aos agentes da autoridade, que é isso que nos preocupa deveras", afirma Paulo Santos à TSF.

O responsável reconhece que a utilização das bodycams pode ser uma solução, mas alerta que esta medida, por si só, não é suficiente.

"O problema não reside apenas na ausência de bodycams, há outras nuances que era preciso acautelar e isso também obedece a uma reflexão porque a sociedade tem mudado", defende, criticando a forma "superficial" com que as intervenções policiais são analisadas na comunicação social.

"Hoje em dia, toda a gente fala de segurança, comenta-se as intervenções policiais na televisão, muitas vezes, os comentários feitos não estão de acordo com o conhecimento necessário para perceber a dinâmica de uma ocorrência policial", constata, sustentando que essas avaliações "têm de ser feitas com alguma substância para se perceber o que está a acontecer".

No entender do dirigente, falta transparência no escrutínio que é feito à atividade policial, tendo em conta que é, frequentemente, feito através de vídeos captados pelos cidadãos que registam apenas "parte daquilo que foi a intervenção, descurando o início, meio e o seu fim". Divulgar apenas uma parte das imagens "deturpa a transparência e a verdade dos factos, o que coloca em causa até a própria intervenção", enfatiza.

Paulo Santos sublinha ainda que, muitas vezes, os processos contra os polícias são empolados e têm uma grande cobertura mediática, mas que, na esmagadora maioria, acabam arquivados, e que isso não tem o mesmo tratamento.

"Muitas vezes, acaba tudo em arquivamento, mas como se faz uma grande referência quando as coisas correm mal numa fase inicial, depois ninguém vem dizer qual foi a conclusão. Isto cria uma perceção, uma imagem negativa que não corresponde à realidade", lamenta.

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