Presidenciais 2021. "Foi diferente. A coisa maravilhosa do ato eleitoral é o contacto com as pessoas"

As eleições presidenciais já lá vão, mas quem esteve nas mesas de voto e ajudou no processo de escolha do Presidente da República não esquece a forma "atípica" como decorreu o escrutínio, o primeiro a acontecer no meio de uma pandemia.

"Tivemos de fazer movimentos diferentes, nomeadamente nas trocas de cartões. Essencialmente, o que houve de diferente foi o não sorriso, porque o ato eleitoral tem uma coisa maravilhosa que é o contacto com as pessoas, o contacto, o sorriso, a pequena conversa", afirma Maria Miguel Martins, presidente da primeira assembleia de voto na cidade de Viseu.

Na mesa que liderou, votaram 488 pessoas, das mais de mil que estavam inscritas nos cadernos eleitorais.

Há cerca de duas dezenas de anos que Maria participa em eleições. Já foi presidente, secretária e escrutinadora. Num tempo em que a máscara, o álcool gel e o distanciamento fazem parte do dia-a-dia, nas presidenciais essas foram também palavras de ordem.

A professora notou que, desta vez, não se deslocaram às mesas de voto famílias inteiras, como em outras alturas.

"O ato eleitoral também tem muito de família, de comunidade, e notou-se bastante que as famílias não trouxeram os seus filhos, que normalmente traziam - e bem -, para eles verem o que está a ser feito e dar o seu contributo. Desta vez, viu-se o individual - e bem também -, para diminuir o risco", aponta.

Maria Miguel Martins apercebeu-se também de outra realidade: nestas eleições votaram pessoas que nunca o tinham feito. E não foi por causa da máscara que não reconheceu os eleitores.

"Notei pessoas que nunca votaram na vida e que foram votar a primeira vez. Estamos a falar de eleitores acima dos 30 anos. Notámos isso, bastantes pessoas que nunca vimos e que foram votar. Essa foi uma diferença unânime na mesa", frisa.

Quem votou deslocou-se às mesas sobretudo sozinho e tentou despachar-se o mais rapidamente possível. Era também esse o desejo e vontade de quem estava a receber os boletins.

"Normalmente, não precisa de ser tão rápido, foi uma coisa muito célere. Nós até vínhamos para o corredor e pedíamos que eles levassem a canetinha, o cartão do cidadão, tudo prontinho de tal maneira que entrassem rapidamente para exercer o seu direito de voto", explica, acrescentando que o processo eleitoral, apesar das filas, decorreu "tranquilamente", sem "reclamações" ou "confusões".

Ainda que defenda que a votação tenha acontecido de forma segura, Maria não esconde o receio de ter sido infetada com a Covid-19. É com emoção que fala do trabalho que ela e os seus colegas executaram.

"É quase como um misto de emoções do querer ajudar o próximo, de correr um risco... Não posso deixar de dizer que no final do dia todos nós dizíamos "agora, nos próximos quatro a cinco dias, vamos ver como é que o nosso corpo vai reagir"", refere.

As presidenciais foram as primeiras eleições no continente em pandemia. Maria Miguel Martins acredita que nas autárquicas deste ano pouco vai mudar. As máscaras e o distanciamento social vão continuar a ser uma realidade.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de