Alterações de última hora? Novas tabelas da ADSE resultam de habituais "correções de lapsos"

A presidente da ADSE, Maria Manuela Faria, garante que não foram feitas inúmeras alterações de última hora às tabelas, como revelou na TSF o presidente da Associação de Hospitalização Privada, e acrescenta que as consultas de nutrição não estão incluídas, mas podem passar a estar.

A presidente da ADSE nega ter enviado inúmeras alterações de última hora já depois de entregue a nova tabela de preços que entrou em vigor esta quarta-feira. Na TSF, Óscar Gaspar, presidente da Associação de Hospitalização Privada, revelou que tinham sido feitas inúmeras alterações às tabelas na noite passada.

No entanto, Maria Manuel Faria, presidente da ADSE, ouvida também pela TSF, assegura que foram apenas correções habituais.

"As coisas foram enviadas a partir das 20h00, resultaram de acertos, não foram novidades. São aqueles acertos e aquelas correções de lapsos que fazemos sempre para cada vez que saem as tabelas", esclarece, indicando que "não se pode dizer que foram modificações à tabela".

O grupo Luz Saúde anunciou desde logo e mantém a decisão de retirar alguns atos do acordo com o subsistema de saúde dos funcionários públicos por considerar que os preços são demasiado baixos. Em alternativa, passa a oferecer esses cuidados em regime livre: os utentes pagam e são depois reembolsados pela ADSE.

Maria Manuela Faria lamenta, mas não receia que haja outros privados a darem o mesmo passo porque não vê razão para isso.

"Tudo foi feito num clima de uma grande transparência. Agora, evidentemente as retiradas ou as desassociações de alguns atos por parte dos prestadores estão no âmbito da sua gestão e das suas políticas internas", afirma, acrescentando que houve "sempre a preocupação de ouvir os consultores médicos, sendo que as opções tomadas foram sempre baseadas em critérios clínicos".

"Continuamos convencidos de que esta convenção serve os melhores interesses da ADSE", diz.

A nova tabela da ADSE passa a incluir consultas de psicologia, mesmo sem necessidade de prescrição por um especialista, como aconteceu até aqui. Manuela Faria justifica que, por enquanto, as consultas de nutrição não estão na tabela, mas isso pode mudar.

"Introduzimos consultas novas como, por exemplo, consulta de psicologia, essa sim tinha sido já um pedido longo e que nos pareceu que fazia todo o sentido", referiu, sublinhando que "há uma série de consultas de especialidade que, de uma vez só, não seria possível, nesta fase, contemplar todas".

"Será um assunto que irá estar em estudo. A ADSE está atenta também e se se justificar, até mesmo pelos nossos beneficiários, no sentido de que são necessários outros tipos de especialidades, a ADSE irá com certeza colocar essas consultas nas nossas convenções", admite.

A presidente da ADSE garante que o facto de fixar tetos máximos para os gastos com cada cirurgia ou prótese acaba por ser uma boa medida para todos, até porque poderia ter optado por fixar o preço mais baixo proposto e optou por não o fazer.

"Na altura em que fizemos a consulta pública pedindo os contributos dos prestadores aconteceram contributos ou sugestões de preços para a ADSE completamente diferentes. A ADSE poderia ter tido aí um caminho muito fácil que era acordar o preço mais baixo sugerido pelos prestadores, mas mesmo assim não o quisemos fazer", explica.

Nestas declarações à TSF, a presidente da ADSE explica ainda que está convencida que a nova tabela, que entrou em vigor esta quarta-feira, garante a sustentabilidade deste subsistema de saúde, sobretudo agora que abre a porta a novos utentes. Ainda assim, Maria Manuela Faria adianta que a tabela não é uma caixa fechada e pode ir sofrendo alterações.

"Não conseguimos compreender." Novas tabelas da ADSE continuam a excluir consultas de nutrição

A Ordem dos Nutricionistas admite apelar à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) para que as consultas de nutrição sejam incluídas na tabela da ADSE. A inclusão da especialidade na assistência de saúde aos funcionários públicos tem vindo a ser discutida há muito tempo e a Ordem recebeu com surpresa as novas tabelas publicadas nesta quarta-feira e que continuam a excluir as consultas.

Em declarações à TSF, a bastonária Alexandra Bento acredita que "só pode ter sido um lapso, lapso esse que tem de ser ratificado".

"Muitas das causas da mortalidade no nosso país e da morbilidade estão direta, ou indiretamente, relacionadas com a nutrição. A população portuguesa sabe que o excesso de peso é um problema grave em termos de saúde pública. Tudo isto somado, nós não conseguimos compreender o que se terá passado", afirma.

A Ordem garante que, se esta for uma decisão deliberada e não um lapso, admite recorrer à ERS. Antes disso, Alexandra Bento vai esperar por uma reunião com a presidente da ADSE que já estava marcada para dia 9, exatamente para discutir este tema.

"Sabendo o conselho diretivo e a sua presidente que esta reunião é para esta matéria, vamos aguardar para ver o que se estará a passar e só esperamos uma ratificação, porque caso contrário, é evidente que temos de apelar a outras instâncias, nomeadamente a ERS", finaliza.

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