Primeiro fórum nacional contra a violência. "As mulheres são particularmente penalizadas"

A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género vai realizar o primeiro Fórum Portugal Contra a Violência, para durante dois dias discutir e refletir sobre os vários mecanismos de intervenção na violência contra as mulheres.

Realiza-se nesta quarta-feira o primeiro Fórum Nacional contra a Violência, uma iniciativa da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, que, durante dois dias, vai apresentar e discutir os novos mecanismos de intervenção na violência contra as mulheres.

Rosa Monteiro, secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, afirma que um dos objetivos deste fórum é apresentar as novas ferramentas que existem para combater este problema. "Temos o novo manual de atuação funcional nas 72 horas, temos os novos instrumentos de auto notícia, também novos documentos de estatuto da vítima", refere, em declarações à TSF.

A governante diz ainda que "está a decorrer a formação que abrange 12 mil profissionais da administração pública".

"Aquilo que queremos é dar conta e discutir este trabalho, que foi um trabalho intersetorial, conjunto e articulado, e portanto é apresentar estes resultados e divulgar estas ferramentas, e trazer os protagonistas da sua elaboração e implementação no terreno", destaca a secretária de Estado, falando de um "fórum muito voltado para o terreno, para a intervenção direta".

Rosa Monteiro sublinha que a pandemia expôs ainda mais as fragilidades que existem. "A pandemia, como qualquer crise, não é neutra do ponto de vista de género. Ela vem atuar num pano de fundo em que as mulheres são particularmente penalizadas, e aquilo que se verificou, durante a pandemia, foi que tivemos de mobilizar um conjunto de respostas imediatas para manter a rede nacional de apoio às vítimas em funcionamento pleno, como esteve."

Com a pandemia, foram incrementados os cuidados: mais vagas para acolhimento, monitorização ao dia do que se está a passar em todo o país, parcerias com empresas, no estabelecimento de um pacto contra a violência.

O evento serve para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, a 25 de novembro, e decorre durante os dias 17 e 18 novembro, juntando desde governantes a especialistas, mas também representantes de associações que trabalham no combate à violência contra as mulheres e a violência doméstica.

Numa nota enviada à Lusa, Rosa Monteiro apontou que o Fórum "pretende fazer uma divulgação ampla das novas ferramentas e serviços de intervenção" nestas áreas, além de também querer "identificar e analisar os impactos e os desafios para a plena implementação da política pública nacional na prevenção e combate efetivo" contra o fenómeno.

O gabinete da secretária de Estado recordou que "muitas das novas ferramentas e serviços" foram criados para dar cumprimento a uma resolução de Conselho de Ministros que aprovou medidas extraordinárias de prevenção e combate à violência doméstica.

"O período que temos vivido, de constante adaptação devido aos constrangimentos pandémicos, manifestou o quão importante e crucial é o trabalho em rede. Tem sido crucial identificar os pontos de falha e de melhoria na prevenção e combate à violência doméstica", sublinhou Rosa Monteiro, citada no comunicado.

Acrescentou que esse trabalho exige articulação e convergência entre os vários setores e profissionais e destacou que os novos instrumentos que vão ser apresentados e discutidos durante os dois dias de Fórum "resultam de um trabalho, pela primeira vez, profundamente intersetorial de coprodução".

De acordo com o comunicado, o Fórum vai servir para dar conhecimento públicos das ações e das práticas que têm vindo a ser desenvolvidas, sendo, por isso, um evento que se dirige, não só a profissionais, especialistas e públicos estratégicos, mas também à população em geral.

"Perspetiva-se que este Fórum Portugal Contra a Violência possa ser uma referência anual de reflexão e partilha", lê-se no comunicado.

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