Principal arguido do caso Tancos quer devolver armas para reduzir pena

Julgamento do caso Tancos arranca a 2 de novembro em Santarém.

O alegado líder do assalto aos paióis de Tancos, João Paulino, quer devolver o material que não foi recuperado pelas autoridades, adianta o Expresso. O juiz do Tribunal Judicial da Comarca de Santarém já aceitou o pedido.

Em prisão domiciliário, Paulino diz estar "disponível para entregar o resto do material subtraído dos paióis nacionais de Tancos, aguardando que a Polícia Judiciária o contacte no sentido de agilizar a sua entrega."

Entre o material estarão 1.450 munições de 9mm, um disparador de descompressão, duas granadas de gás lacrimogéneo, uma granada ofensiva, duas granadas ofensivas de corte para instrução, 20 cargas lineares de corte CCD20 e 15 cargas lineares de corte CCD30, escreve a edição online do jornal.

No despacho do tribunal de Santarém, citado pelo Expresso, lê-se que a intenção do arguido "prende-se com o facto de pretender colaborar com a justiça", bem como de "beneficiar das prorrogativas legais resultantes da sua conduta, manifestando ainda a postura de colaboração com as autoridades."

No mesmo documento é referido que "o Ministério Público tomou o devido conhecimento da manifestação de vontade formulada pelo arguido João Paulino, bem como da sua postura de colaborar com o Tribunal até onde lhe é possível, o que nos afigura relevante numa sua futura condenação no âmbito dos presentes autos."

A diretora da UNCT da Polícia Judiciária [Manuela Santos] já terá iniciado contactos com fim à recuperação do material e para que o órgão de polícia criminal possa "atuar dentro da estrita legalidade", devendo para isso "ser proferido despacho judicial a autorizar a Polícia Judiciária a proceder à apreensão do referido material."

O julgamento dos 23 arguidos do processo sobre o furto das armas de Tancos, entre os quais o antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes, terá início em 02 de novembro, no Tribunal Judicial da Comarca de Santarém.

O processo de Tancos tem 23 acusados, incluindo o ex-ministro da Defesa, o ex-diretor nacional da Polícia Judiciária Militar (PJM) Luís Vieira, o ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão e o ex-fuzileiro João Paulino, que segundo o Ministério Público foi o mentor do furto, os quais respondem por um conjunto de crimes que vão desde terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça e prevaricação até falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

Azeredo Lopes está acusado dos crimes de denegação de justiça e prevaricação, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder e denegação de justiça, num processo que investigou o furto e a encenação do achamento do armamento furtado dos paióis de Tancos.

Nove dos arguidos são acusados de planear e executar o furto do material militar dos paióis nacionais e os restantes 14, entre os quais Azeredo Lopes, que se demitiu do cargo político no seguimento do processo, e os dois elementos da PJM, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.

O Ministério Público tinha pedido que todos os arguidos fossem a julgamento nos exatos termos em que foram acusados e o juiz Carlos Alexandre concordou.

O caso do furto das armas foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada recuperação do material de guerra furtado ocorrido na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em colaboração com elementos da GNR de Loulé.

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