"Produto é perfeitamente estável." Pirotecnia utiliza nitrato de amónio para fogo de artifício

O armazenamento do nitrato de amónio é limitado nas empresas portuguesas. O produto pode ter causado as explosões em Beirute.

As explosões em Beirute terão sido causadas por materiais explosivos armazenados no porto da capital libanesa. As autoridades locais falam no nitrato de amónio, que além da agricultura é utilizado no fabrico de pólvora para o fogo de artificio.

Em Portugal, as empresas de pirotecnia precisam de autorização da PSP para armazenar este produto, e as quantidades dependem da dimensão da unidade fabril.

O presidente da Associação Portuguesa de Pirotecnia e de Explosivos, Carlos Macedo, revela à TSF que não há nenhuma fábrica de fogo de artificio com mais de quatro toneladas armazenadas nas devidas condições.

"Ao nível do fabrico de explosivos e pirotecnia, as quantidades são muito limitadas. Além disso, são condicionadas pelas condições dos respetivos estabelecimentos", adianta.

Carlos Macedo garante que o nitrato de amónio só se torna perigoso em contacto com outros materiais. "O produto em si é perfeitamente estável, é utilizado como adubo, toda a gente conhece. Torna-se explosivo com a junção de outros produtos", lembra.

A explosão de ontem em Beirute provocou até agora cem mortos, e quase quatro mil feridos, de acordo com dados da Cruz Vermelha no Líbano.

A Al Jazeera cita relatórios oficiais para revelar que altos cargos libaneses sabiam que os produtos explosivos estavam armazenados no porto de Beirute há mais de seis anos.

A substância terá chegado em 2013 aos hangares depois de um navio, o Rhosus, que seguia para Moçambique ter sentido dificuldades técnicas, precisando de reparações. Impedido de partir pelas autoridades, o navio foi abandonado pela empresa a que pertencia e pela tripulação. Entretanto, o Governo moçambicano já assegurou que desconhece qualquer operação com o navio de carga que terá provocado as explosões.

A primeira estimativa do Governo libanês, quanto aos prejuízos, aponta para mais de 2,5 mil milhões de euros. Há 300 mil desalojados e metade de Beirute está danificada.

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