PSP e GNR questionam atraso na instalação de câmaras nas fardas

Paulo Rodrigues lamenta atraso numa promessa que foi feita ainda na última legislatura e rejeita "problema de racismo" na polícia.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) não compreende qual a razão da demora no uso de microcâmaras por parte das forças de segurança.

No Fórum TSF desta quinta-feira, o presidente da ASPP/PSP, Paulo Rodrigues, recorda uma das promessas da anterior legislatura, realçando alguns modelos de câmaras que já existiam e que "poderiam ser instaladas no fardamento", para explicar que ainda hoje "continuam à espera" dessa mesma instalação.

O representante dos polícias sublinha que o uso destes equipamentos poderia ajudar os elementos de segurança num momento em que as denúncias de agressão a uma mulher na Amadora estão a ser investigadas pela Inspeção Geral da Administração Interna.

Racismo?

"Às vezes podemos repensar melhor aquela atuação ou outra, mas não tenho ideia nunca de que a motivação tenha sido racista. Não estou a dizer que não há, não seria sério da minha parte porque eu não conheço 20 mil polícias e nós somos um reflexo da sociedade", reconhece.

Quanto a um hipotético "problema de racismo" na polícia, Paulo Rodrigues responde que tal "não lhe parece certo" nem representa a realidade e, por isso, lamenta que o debate que tem sido feito sobre este caso está "desviado da realidade".

"Não se pode partir logo para a questão do racismo só porque um polícia está a intervir", reforça Paulo Rodrigues.

GNR junta-se às questões

O vice-presidente da Associação de Profissionais da Guarda (APG/GNR) junta-se às questões levantadas pela PSP. O presidente, José Miguel, diz também não compreender o atraso do Governo em avançar com a utilização de microcâmaras no fardamento e deixa até uma ideia: "Se não houvesse outras circunstâncias de alguma privacidade que envolve os agentes, se calhar os próprios já se sentiriam na necessidade de terem, eles próprios, de comprar os equipamentos para se sentirem mais seguros."

O representante dos GNR realça que este é um instrumento que pode "defender e ser útil ao bom desempenho da missão".

Diploma em preparação

A TSF contactou o ministério da Administração Interna para saber qual a razão do atraso na implementação e utilização das microcâmaras no fardamento dos agentes da polícia. A resposta da tutela dá conta de que a utilização desses equipamentos ainda está a ser preparada.

No mesmo esclarecimento, o gabinete de Eduardo Cabrita indica que este é um tema que vai ser incluído na lei que regula o modo como as polícias vão pode utilizar câmaras em locais públicos e que o diploma ainda está a ser preparado.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados ainda vai ser ouvida neste processo.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de