Profissionais da saúde e da moda criam roupa inclusiva

Mifri combina estilo com funcionalidade na produção de peças que podem ser usadas por pessoas com doença ou deficiência.

Duas jovens de Braga desenvolveram a marca Mifri para criar e produzir peças de "roupa inclusiva" destinada a responder a necessidades específicas de pessoas doentes ou com deficiência.

Há roupa pensada para facilitar o acesso ao cateter, para dar mais autonomia a quem se move de cadeira de rodas, entre um conjunto de propostas adaptadas à realidade e condição de cada um, mas que todos podem vestir.

"Trabalhei e trabalho na área da terapia e reabilitação e percebi que havia esta necessidade. Desafiei a minha amiga para erguermos a ideia e trazermos às pessoas com necessidades específicas de saúde uma resposta que não existe no mercado", explica Elsa Marta Soares, uma das empreendedoras.

Deram à marca o nome de Mifri, a partir de "me, em inglês, que significa eu, e fri [freedom], de liberdade, porque a marca pretende, de facto, a inclusão e trazer liberdade e a autonomia", explica Ana Rito, que trabalha na área da moda, marketing e comunicação.

As primeiras peças foram desenvolvidas para responder às necessidades específicas na área motora, com "camisolas com quatro fechos, que facilitam o vestir e o despir, também para o cuidador, mas depois percebemos, à medida que fomos testando e explorando, que estas camisolas também dão resposta, por exemplo, a pessoas com ostomia, pessoas com botão gástrico, pessoas com cateteres venosos centrais, periféricos, ou seja, tentam dar resposta a muitas especificidades", adianta Elsa Marta Soares.

A Mifri pretende desenvolver-se de forma colaborativa com o público-alvo e de todo o país chegam pedidos de novas peças que, em linha com as tendências de moda, respondam a determinadas especificidades e necessidades.

Flávia Silva, uma das primeiras clientes, relata as dificuldades que encontrou para vestir a filha Teresinha, hoje com 4 anos, quando em 2019 lhe foi diagnosticada uma leucemia. "Chegamos a correr as lojas de Braga, Porto, Aveiro... roupa sem costuras não existe, pelo menos para a infância, e é muito difícil, e muito caro, encontrar monocromáticos ou algodão em cru", indispensáveis na fase mais intensiva da quimioterapia.

Numa etapa posterior, acrescenta a mãe, "a Mifri ajuda a desconstruir essa fase monocromática e muito desenxabida e transforma-a numa fase muito colorida, porque pode ir ao IPO de vestido, não precisa de ir de fato de treino, porque é só baixar a alça, que é em velcro e que ela própria consegue retirar. Combinado com uma t-shirt que tenha uma abertura lateral pode ter acesso ao cateter venoso central, faz a quimioterapia e volta à sua vida", explica.

Elsa Marta Soares faz questão de sublinhar que apesar de se tratar de uma marca para pessoas com necessidades específicas de saúde "é para toda a gente, tanto é que muitas das pessoas que compram as nossas camisolas e as nossas roupas não têm nenhum problema de saúde. A ideia é que a nossa roupa seja gira e que toda a gente queira vestir. Esse é o verdadeiro conceito de inclusão".

Desde que o projeto começou, a Mifri tem vindo a ampliar a oferta de vestuário para facilitar a vida de quem procura roupa funcional, mas com detalhes de moda. "Estamos a desenvolver outro tipo de respostas que as pessoas nos reportam como necessárias, por exemplo, é necessário pensar nas pessoas com traqueostomia", acrescenta a empreendedora.

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