Profissionais de saúde pedem "orientação nacional" para utentes que recusem vacina da AstraZeneca

Presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar pede que as orientações escritas que existem sejam clarificadas para que os utentes tomem uma decisão consciente.

O presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) pede que sejam dadas orientações claras sobre o que fazer nos casos em que os utentes possam recusar a vacinação com a AstraZeneca. Diogo Urjais sublinha que é fundamental que esta orientação clara seja dada pela Direção-Geral da Saúde, não só para informação dos profissionais mas também para os utentes.

As orientações escritas que existem devem ser clarificadas para que os utentes tomem uma decisão consciente.

"Mesmo antes da suspensão da vacina AstraZeneca, as orientações escritas que existiam eram de que nem o utente nem o profissional escolhiam a vacina a ser administrada. Aquilo que ouvimos do coordenador da task-force é que passaria para o final da lista quem rejeitasse. Agora é necessário, fundamental e imperioso, quer para os utentes quer para os profissionais, haver uma orientação nacional que defina claramente o que acontece aos utentes que tomam essa decisão. Ou passam para o final da fase ou mesmo para o final da vacinação em si", explicou à TSF Diogo Urjais.

O responsável gostava também que fosse feita uma campanha de informação porque admite que as recusas possam aumentar, até por aquilo que já aconteceu na semana passada.

"Na semana passada, antes da suspensão em Portugal, quando já alguns países tinham suspendido a vacina, houve mais perguntas sobre qual era a vacina a administrar e houve pessoas a rejeitar, quer no ato da convocatória, quer depois no local, no centro de vacinação quando foram informados sobre qual era a vacina. Neste momento ainda não sabemos como será na próxima semana, mas as equipas receiam, como é lógico, que existam mais rejeições. Por isso é que era importante uma campanha que dissipasse as dúvidas de todos os portugueses", afirmou o presidente da USF-AN.

Mas há outros problemas. Com a campanha de vacinação em curso e milhares de portugueses à espera do dia em que recebem a segunda dose da vacina, o presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, Diogo Urjais, lamenta que o sistema informático montado, em vez de ajudar, dificulte o trabalho dos profissionais de saúde.

O presidente da USF-AN diz que são centenas os telefonemas que têm de ser feitos diariamente para confirmar o dia em que o utente vai receber a segunda dose da vacina. Um processo que, na opinião de Diogo Urjais, podia ser melhorado.

"A segunda dose deveria ser direcionada automaticamente, algo que não está a acontecer. E depois, além disso, devia ter uma mensagem recordatória ou entrar no sistema automático. Nada disso está a acontecer, por isso esses utentes têm sido todos contactados por telefone para confirmar a vacinação. As segundas doses estão a ser um problema bastante grande", admitiu Diogo Urjais.

O responsável explica que o utente, quando recebe a primeira dose da vacina, fica com um cartão onde consta a data em que deve levar a segunda dose, mas a data é apenas indicativa.

"A data que os utentes levam, tal como o cartão indica, é uma data provisória, da segunda dose, para confirmar e que até pode corresponder à data real, depois da segunda dose. No entanto, não há nada a recordar, não há nenhum sistema automático. Mesmo se se alterasse o dia, se entrassem através de um agendamento automático, iriam receber a mensagem a informar se o dia tinha sido ou não alterado e era escusado estarmos a ligar a 300 ou 500 pessoas. Infelizmente estamos em meados de março, já começámos há algum tempo, mas ainda falta olear esta parte, que aparentemente era simples porque a ferramenta criada para o efeito, o sistema informático, devia ser facilitador e não que dificultasse", acrescentou o presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar.

Diogo Urjais esperava que, nesta altura, as dificuldades já tivessem sido ultrapassadas.

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