"Provar" a chuva, apanhar "tesouros" da natureza. Um dia de escola ao ar livre

Mais de 60 mil alunos portugueses participam no Dia de Aulas ao Ar Livre. Em Sintra, o dia acordou chuvoso, e isso acabou por ser mais um motivo para novas descobertas.

Com a chuva a cair miudinha, Anabela Marques, reúne os alunos do primeiro ano debaixo do telheiro. Cada um traz a sua cadeira, formam uma roda e cantam: "Bom dia! Bom dia! Bom dia a toda a gente! Eu hoje vim à escola, por isso, estou contente!!!".

Entre risos e cochichos, a professora tranquiliza os mais afoitos.... que já lhe tinham lembrado este Dia de Aulas ao Ar Livre. Uma iniciativa global, que nasceu no Reino Unido, em 2011, quando um grupo de educadores ambientalistas decidiu questionar o papel das escolas na redução do tempo que as crianças passam em contacto com a natureza.

Nove anos depois, este Dia acontece em mais de uma centena de países e em Portugal, em ano de pandemia, inscreveram-se mais de 60 mil crianças, de escolas um pouco por todo o país.

Uma delas é a escola básica do primeiro ciclo da Várzea de Sintra, onde a manhã acordou cinzenta e chuvosa. Nada que impeça os planos de aulas ao ar livre, apenas é preciso reformular o que estava previsto. Afinal, explica Anabela Marques, os seus meninos já estão habituados ao contacto com a rua e com natureza.

E nem hesitam perante o convite da professora para partilharem o que sentem, quando têm atividades na rua. "Sinto-me a meditar, ao som dos pássaros", declara, pensativo, o Gustavo. Ao lado, o Santiago afirma que gosta do ar livre, porque "as coisas da natureza são mais do que nós pensávamos". Mexe com a imaginação, por assim dizer.

"Provar" a chuva

Resguardados por baixo do telheiro, os meninos de Anabela Marques escutam os sons da natureza, aprendem porque é que chove. "Porque as nuvens chocam e elas estão muito gordinhas!", é uma das hipóteses. Certo, mas não chega. "Faz frio!", ouve-se do outro lado. A professora explica: "quando baixa a temperatura, começa a ficar mais frio, por isso, faz o contrário de quando está calor: a água cai".

Lá fora, a chuva parou. O desafio é fazer silêncio e ouvir os sons em redor.... da rua, da natureza. A chuva parou, mas logo, logo, está de regresso. Nada de especial, umas pingas. Suficientes para "provar". "Põe a língua de favor, para sentires o sabor"! O entusiasmo é grande. A que saberá? Já vamos saber.

De regresso à roda das cadeiras, há quem diga que a chuva sabe a chocolate, a rebuçado, mas isso não passa de imaginação, garante a professora. A verdade é que a água "não sabe a nada", "sabe a água!".

Uma história com "tesouros" da natureza

Com o sol a espreitar, envergonhado, por detrás das nuvens carregadas, a turma dirige-se ao campo de jogos e à terra que o rodeia. Cada um procura um objeto, apenas um. Todos juntos vão fazer nascer uma história.

"Era uma vez um menino que encontrou uma pedra e um pau que pinta". Cada um mostra o que trouxe da terra molhada, Anabela resume a história. Uma história que mete bastões mágicos de pau, folhas de árvores que fazem cócegas, princesas e um ogre. Uma história feita da imaginação de crianças de 6 anos, numa escola no campo, habituadas à natureza e ao cheiro da terra molhada.

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