PSP admite uso da força em detenção de mulher no Cais do Sodré

Polícia fala de "comportamentos hostis" para justificar disparo para o ar. Uma das pessoas envolvidas vai apresentar queixa no Ministério Público.

A PSP admitiu esta segunda-feira que teve de recorrer ao uso da força para deter uma mulher suspeita de integrar um grupo que causou distúrbios no domingo na zona do Cais do Sodré, em Lisboa. Uma outra mulher, envolvida nos confrontos, vai apresentar queixa no Ministério Público.

Em comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP (Cometlis) explica que o grupo em que se integrava esta mulher provocou desacatos e distúrbios junto ao estabelecimento de bebidas "Boteco da Dri", na Rua da Cintura do Porto.

"À chegada ao local, os polícias depararam-se com um grupo numeroso de pessoas que ocupava a totalidade da rua e impedia a circulação de viaturas, abanando e trepando para cima daquelas que, ainda assim, tentavam passar", refere a nota.

A PSP ressalva que o grupo foi "advertido de que deveria desobstruir a via", mas não cumpriu as ordens dos agentes.

"Foi necessário repor a ordem para desobstruir a via, recorrendo ao uso da força para fazer dispersar as pessoas", justifica a PSP, acrescentando que, durante a intervenção, uma mulher agrediu um polícia, "razão pela qual foi manietada e detida".

As autoridades explicam ainda que durante a intervenção policial tiveram de efetuar "um disparo de advertência para o ar, em segurança", para permitir "cessar os comportamentos hostis e efetuar a detenção" da mulher.

"Da detenção resultaram ferimentos na detida que, por essa razão, foi conduzida ao hospital. A detida foi libertada e notificada para comparecer no tribunal", conclui a nota.

Queixa no Ministério Público

Vários vídeos que circulam nas redes sociais mostram momentos da intervenção da PSP na Rua da Cintura do Porto, durante um festejo carnavalesco, nos quais se consegue ver um grupo de, pelo menos, quatro agentes a tentar imobilizar uma mulher e ainda outra que ia em seu auxílio.

Nas imagens consegue ver-se ainda um dos agentes a puxar uma das mulheres pelo pescoço, com recurso a um cassetete, ouvindo-se gritos e o barulho de um disparo. Ao jornal Público , Taiane Barroso, uma das mulheres envolvidas, assumiu ter ficado com algum receio após os acontecimentos:

"Do nada, isto parece o Brasil. Aqui é uma cidade segura, mas começo a ficar paranóica com essa banalização da violência. Principalmente depois do caso da Cláudia Simões. É assustador", disse.

Sem querer ligar diretamente os confrontos a "racismo ou xenofobia", Taiane Barro diz sentir que este foi um caso de "violência misógina".

"Foi tremendamente desproporcional ter cinco homens em cima de uma menina: estavam a espancar uma mulher na praça pública, com umas trezentas pessoas, numa festa em que 90% das pessoas eram brasileiras. Não veria aquilo tipo de violência com uma portuguesa ou uma alemã", acusa.

Taiane Barroso confirmou ao Público que já apresentou uma denúncia à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e vai entregar uma queixa ao Ministério Público esta quarta-feira.

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