Comissão de investigação de abusos sexuais na igreja "vem para que o que tiver de ser removido seja"

O bispo das Forças Armadas comenta o caso da criação de uma comissão para apurar os casos de abusos sexuais ocorridos no cerne da igreja, e acredita que tal deve ser feito no sentido da "purificação" e da "solidariedade com a vítima". D. Rui Valério refere-se ainda à Operação Miríade, lamentando que os militares não tenham mantido a coerência entre a formação e a prática.

O bispo das Forças Armadas lamenta o caso do tráfico de diamantes que envolveu militares portugueses ao serviço da ONU, na República Centro-Africana. D. Rui Valério admite, em declarações à TSF, que não houve coerência entre a formação e a prática militares.

"Aquilo que é de lamentar é que não tenha existido, a ser verdade tudo aquilo que é veiculado relativamente ao que sucedeu ou deixou de suceder, uma coerência, por parte de um ou outro, daquilo que ele recebe durante o seu tempo de formação, com aquilo que depois será a sua prática no dia a dia", assinala o bispo das Forças Armadas, vincando, contudo, que "isso não é a regra".

Apesar deste lamento, D. Rui Valério acredita que a imagem das Forças Armadas não saiu manchada, até porque as chefias trataram o caso com total transparência. "Antes de mais, é de lamentar, sobretudo quando nós, nos jornais, verificamos Forças Armadas e militares associados a tráfico... E essas coisas... Não é agradável para ninguém."

"Quero sublinhar esta postura que, sobretudo ao nível das chefias militares, foi assumida, desde a primeira hora, tanto quanto nós sabemos, de levar para o campo próprio essa situação", exalta D. Rui Valério, que fala em "uma transparência e uma clareza que foi exemplar, no sentido em que não houve encobrimentos, não houve ali uma passagem de culpas, mas houve ali, por parte das chefias, um enfrentar da situação, para a resolver, e isto é exemplar".

Questionado ainda na Manhã TSF, sobre a comissão que vai investigar os alegados abusos sexuais na igreja católica, o bispo das Forças Armadas salienta dois pontos que considera importantes: a pureza e a reparação. "Estamos mobilizados a reparar o que for necessário ser reparado, a viver uma solidariedade e uma comunhão profunda de entreajuda", garante.

"Uma coisa que é absolutamente fundamental para mim é a palavra 'pureza', purificação... Portanto, esta comissão vem para que, dentro do âmbito da igreja, o que houver que ser removido seja removido; o que tiver de ser verdadeiramente vivido com uma solidariedade e com uma compaixão profunda por quem é vítima seja assim vivido."

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