À espera dos resultados. Um computador e um telemóvel são companhia de universitários em isolamento

Para alguns estudantes, as residências universitárias são a única opção para cumprir o isolamento, caso haja uma suspeita de estar infetado com o novo coronavírus. É o caso de Inês, uma aluna de 21 anos, que foi alertada, por um telefonema de casa, para o risco de estar infetada.

Conversámos com Inês, como pediu para ser identificada, pouco depois de ter ido a um laboratório em Coimbra fazer o teste para saber se está ou não infetada. Até à residência onde agora está alojada, a caminhada ainda é longa, mas não tinha alternativa. Fazer o percurso de transportes públicos, contactando com outras pessoas sem saber o resultado do teste, não era opção. Chamar um Uber também não, até porque "o dinheiro não chega para essas coisas". Foi assim, arfando um pouco, subindo as ladeiras de Coimbra, que Inês foi contando a sua história.

Inês ainda não sabe se contraiu ou não a doença. Há três semanas que não ia a casa. Mas viver numa residência não é fácil, principalmente agora que os contactos com outras pessoas são mais limitados e a máscara é obrigatória. Sentiu que precisava de "respirar" e, por isso, decidiu arriscar. Esteve em contacto com um familiar a quem foi diagnosticada a doença.

Soube quando regressou a Coimbra e recebeu um telefonema.

Estava numa residência enorme, onde vivem outros 200 estudantes, mas que só tem um quarto de isolamento. Esteve lá algum tempo, até que, por indicação dos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC), mudou-se para uma outra residência, mais pequena. Está instalada num quarto só para si. Tem uma casa de banho também só para si. A cozinha é partilhada com outra estudante, que também cumpre o isolamento. Só pode estar uma de cada vez na cozinha. As refeições são feitas no quarto, onde está sozinha e pode retirar a máscara.

O pior é a comida. Sem ter tido tempo para recolher alimentos e utensílios de cozinha, "os pratos e os tachos", recorreu ao SASUC para encomendar as refeições na cantina da faculdade. Vem almoço e jantar. Cada refeição custa 2,40 euros e ainda tem de pagar 30 cêntimos pelas embalagens. Então, e o pequeno-almoço? Inês sorri. A cantina não fornece o pequeno-almoço e, por isso, vai improvisar. Tem algumas bolachas, vai guardar a fruta e o pão do almoço e do jantar.

Explica que não tem muito com que se entreter. Na pressa de mudar de residência, pegou "na roupa, nos produtos de higiene, no computador e pouco mais. Não trouxe nenhum livro para ler".

Inês lamenta a falta de informação sobre os casos de Covid-19 na universidade. A estudante de Relações Internacionais adianta que, "quer seja nas residências quer nas universidades, não têm a noção de quantos estão infetados". Agora, aguarda o resultado do teste. E, enquanto espera, continua a assistir às aulas à distância e adianta os trabalhos da faculdade. Sente-se bem. Na voz, pressente-se a preocupação. Por ela, pelo que vai acontecer a seguir. Pelo familiar infetado.

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