Quando um plástico divide um abraço mas junta uma família

As visitas a muitos lares de idosos foram suspensas durante a pandemia, devido ao confinamento e aos surtos de Covid-19 que entretanto surgiram nas instituições. Mas a residência Quinta Alegre em Lisboa arranjou uma solução para que os familiares possam estar mais próximos.

No lar Quinta Alegre em Lisboa é dia de visita para Leonor Viola, 88 anos. Está no espaço "mimos e beleza" a arranjar o cabelo, as unhas e a maquilhar. "Sou muito vaidosa", admite. Sobretudo em dia de visita. "É uma alegria quando ela cá vem".

A pandemia suspendeu as visitas na Quinta Alegre na Charneca do Lumiar. Entretanto foram retomadas com recurso a uma espécie de separador de plástico, que permite dar abraços.

"Ela está daquele lado, eu estou deste, abraçamo-nos. Metemos os braços numa coisa plástica e depois abraçamos a família, consigo abraçá-la, a minha filha", conta.

A equipa do lar instalou uma cortina transparente com umas mangas de plástico que permite abraços e proximidade entre os idosos e a família.

"É muito emocionante. Foi aquele abraço. Foi indescritível. Não há palavras para conseguir descrever. É a minha mãe", explica Cristina Viola, uma das três filhas de Leonor.

O confinamento foi difícil para a família, que estava habituada a contactos semanais. "Foi bastante triste - não poder vê-la, não poder contactar com ela, trazer-lhe as coisas delas, fazer aquele miminho que nós gostamos."

Tânia Gomes, diretora da Quinta Alegre, um lar residencial para idosos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, admite que não foi fácil lidar com o confinamento mas a retoma das visitas foi importante para os idosos.

"A abertura da casa para as visitas foi muito positivo para eles. Já sabem quando é que eles vêm porque eles são informados que a família vem cá e a que horas é a visita. São acompanhados", detalha.

A diretora recorda que antes da pandemia era comum saírem da residência para voltas do dia-a-dia, nem que fosse para ir ao café. Agora, "é muito tempo sem saírem da residência. Antes da pandemia era muito movimentado, estava sempre aqui pessoas da comunidade, vinham aqui as pessoas da associação de reformados, tínhamos visitas de voluntários. Diariamente houve aqui muita atividade e houve uma grande quebra, não vem ninguém do exterior", lamenta.

Tânia Gomes admite que houve muito esforço por parte da equipa para lidar com a pandemia, que rapidamente se adaptou a novas rotinas. "Tivemos que fazer um esforço, não houve reforço. Toda a gente teve uma resposta muito positiva."

As visitas voltaram a ser suspensas em julho depois de um surto no lar. Oito pessoas estiveram infetadas - três idosos e cinco profissionais. Todas as pessoas recuperaram e as visitas voltaram a ser retomadas.

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