Radiografia da Saúde: produtividade não aumenta apesar de haver mais médicos

O aumento de profissionais no Serviço Nacional de Saúde não se tem traduzido num aumento proporcional dos serviços prestados, esta é uma das evidências do relatório de primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS).

O relatório hoje divulgado revela que "desde 2016, temos assistido a um aumento constante dos profissionais a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS). De facto, o aumento foi de mais de 30.000 profissionais entre março
2016 e março 2022".

Por outro lado, "o aumento do número de horas (trabalhadas) também não se traduziu num aumento proporcional da atividade" nas consultas e cirurgias. Para Manuel Lopes, professor da Universidade de Évora e porta-voz deste relatório existe uma leitura para este paradoxo para o qual "não há apenas uma explicação, que vão desde os modelos organizacionais em saúde até na forma como as carreiras estão estruturadas".

O documento sublinha o aumento do número de profissionais "tem sido a principal fonte de crescimento da despesa do SNS. Entre 2016 e 2021, as despesas têm aumentado de 9.130 para 12.386 milhões de euros, sendo que 42% têm sido causados pelo aumento da despesa com recursos humanos (1.353 milhões), proporção muito superior àquela devida à aquisição de medicamentos e dispositivos (733 milhões, 23%)".

O relatório do OPSS adianta por outro lado, que falta saber como atrair, motivar e reter os profissionais no SNS. "Fazer com que o SNS volte a ser atrativo para os jovens profissionais não depende apenas da valorização remuneratória, há outro fatores, nomeadamente a facilidade de progressão nas carreiras, os incentivos que são dados para além da dimensão remuneratória; por exemplo, a facilidade com que as pessoas acedem a formação e como ela é valorizada na progressão", sublinha Manuel Lopes.

O especialista em saúde lembra ainda que este relatório deixa uma pergunta básica: "qual é a orientação estratégica estrutural que se pretende seguir na saúde?"

"Têm que criar um espaço onde seja possível discutir que SNS é que nós queremos no futuro: um SNS solidário, essencial, estrutural para dar resposta às necessidades dos portugueses ou queremos um outro serviço que não seja público, ou público mas com características diferentes das atuais. Isto tem que ser posto em cima da mesa e discutido com serenidade de modo a contribuir para não diminuir a confiança das pessoas no serviço público de saúde", concluiu Manuel Lopes.

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