Rastrear, testar e isolar só os mais vulneráveis? "São abordagens possíveis"

A diretora-geral da Saúde não fecha a porta a alargar a diminuição do período de isolamento a pessoas com sintomas ligeiros, como pede a Ordem dos Médicos, mas argumenta que são precisos mais dados.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admite que a diminuição do período de isolamento para assintomáticos pode ser um primeiro passo para uma mudança de abordagem à pandemia, mas são precisos mais estudos. Em declarações à TSF, Graça Freitas revela que o período de isolamento pode ter nova alteração em breve e faz depender "dos dados que forem libertados" uma possível decisão, já a 5 de janeiro, sobre testar, rastrear e isolar apenas os mais vulneráveis à doença.

"Os nossos especialistas consideraram que sete dias de isolamento, por agora com o que se sabe da variante Ómicron, era o melhor equilíbrio possível entre manter segurança de isolamento e, ao mesmo tempo, compatibilizar isso com uma maior libertação das pessoas para a sua vida laboral, social. Enfim, para todas as vertentes da sua vida. Obviamente, vamos continuar a acompanhar a evolução do conhecimento sobre a variante Ómicron, nos seus períodos de incubação, de transmissibilidade e depois até à recuperação, para podermos afinar este período", afirma Graça Freitas.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, apoiou a decisão da DGS, mas alertou que há outras alterações a fazer, em declarações à CMTV ao início da tarde.

"A decisão dos sete dias acho bem. É uma boa decisão por parte da DGS atualizar esta parte da norma. Há outras partes da norma que também têm de ser atualizadas. Já sei que a decisão não tem efeitos hoje. Só vai ter daqui a uns dias, o que é mau. Quanto mais rápida for a decisão a ser aplicada na prática, todos nós beneficiamos com isso", afirmou.

Em resposta, Graça Freitas diz que as autoridades de saúde devem focar-se nos assintomáticos, para depois poderem "alargar" o grupo: "Neste momento, estamos a ir para as pessoas assintomáticas e, se tudo correr bem, de acordo com o que formos sabendo dos estudos que vão saindo, podemos alargar este grupo. Por agora, vamos manter este critério para os doentes, pessoas infetadas, que não apresentem sintomas."

Com o crescimento exponencial de casos, a diretora-geral da Saúde explica que primeiro é preciso "ver como é que vai ser a epidemiologia da doença nos próximos dias" e "aprender com o comportamento desta variante e saber mais sobre os ciclos". Só depois se pode tomar uma decisão sobre testar, rastrear e isolar apenas as pessoas mais vulneráveis à Covid-19.

"Depende dos dados que forem libertados. Se saírem mais informações do que as que temos neste momento e outros estudos que estejam a decorrer noutros países, um bocadinho mais à frente do nosso em termos da variante Ómicron, poderá haver essa reavaliação", argumenta, antes de sublinhar que são "abordagens e estratégias possíveis".

Apesar de a vacinação continuar a ser a melhor arma para contrariar a transmissão da Covid-19, Graça Freitas acredita que "esta paragem mais do que justa para que os profissionais possam ter também direito ao seu descanso", não vai pôr em causa o combate à pandemia.

"Estes três dias podem ser absorvidos com outros agendamentos e chamando pessoas ao processo. Não é isto que vai prejudicar a imunidade que nós temos, a imunidade pessoal ou a imunidade que temos enquanto comunidade", garante.

Graça Freitas lembra que Portugal está "a vacinar cerca de 90 mil pessoas por dia" e vai existir "uma grande campanha de vacinação durante quatro dias para vacinar o grupo que ainda não está vacinado que é o grupo das crianças dos cinco aos nove anos".

"Nos dias 6, 7, 8 e 9 de janeiro vamos ter os nossos centros de vacinação dedicados integralmente à vacinação das crianças", conclui.

Esta quinta-feira, o período de isolamento para infetados com Covid-19 assintomáticos e para contactos de alto risco passou de dez para sete dias. A decisão foi tomada pela DGS: "A Direção-Geral da Saúde informou hoje o Ministério da Saúde que o período de isolamento passa de 10 para 7 dias para as pessoas infetadas assintomáticas e para os contactos de alto risco."

A autoridade de saúde esclareceu, num comunicado, que a decisão "está alinhada com orientações de outros países e resulta de uma reflexão técnica e ponderada, face ao período de incubação da variante agora predominante, a Ómicron".

"A operacionalização desta decisão técnica, pela necessidade de atualização de normas e de reparametrização do sistema de informação, estará concluída o mais brevemente possível, no decurso da próxima semana", garante a DGS.

Ao início da tarde, Graça Freitas já tinha explicado que a variante Ómicron também levou à alteração do conceito de alto risco. Segundo a diretora-geral da Saúde, "é preciso um contacto muito intenso para se ser considerado de alto risco".

"Neste momento, nós consideramos de alto risco, de facto, os coabitantes e os coabitantes que não fizeram o reforço da vacina. As pessoas que mesmo sendo coabitantes, têm reforço da vacina, não são já considerados de alto risco", esclareceu a diretora-geral da Saúde em declarações à CMTV.

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