Reabilitar linha do Douro até Espanha custará 75 milhões de euros

Troço Pocinho-Barca d"Alva pode ter impacto económico de 84,2 milhões de euros, segundo o estudo para a sua reabilitação que é apresentado, esta segunda-feira, em Freixo de Espada à Cinta. Se avançar, permitirá criar 4724 empregos na fileira do turismo.

Reabilitar o troço da linha ferroviária do Douro, entre o Pocinho e Barca d"Alva, vai custar cerca de 75 milhões de euros. O estudo de viabilidade económica refere que a via-férrea é rentável do ponto de vista económico, com benefícios previstos de mais de 84 milhões de euros. Por outro lado, vai permitir criar mais de 4700 empregos na área do turismo.

O estudo foi desenvolvido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e pela Infraestruturas de Portugal. Está a ser apresentado esta segunda-feira na Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, numa sessão que conta com as presenças do ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, e da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

De acordo com o estudo de viabilidade, a linha Pocinho-Barca d"Alva vai gerar dois tipos de benefícios: o primeiro, avaliado em "28,4 milhões de euros", resulta, essencialmente, da "melhoria da mobilidade, da qualidade ambiental e da redução da sinistralidade junto da população residente e visitante".

O segundo, no valor de "55,8 milhões de euros", representa "o impacto no Produto Interno Bruto de toda a fileira do turismo", com destaque para a "hotelaria, restauração, transportes, serviços culturais e recreativos", entre outros. Somadas as duas parcelas dá "84,2 milhões de euros de benefícios estimados".

O impacto turístico da reativação da linha deverá permitir criar "4724 empregos" durante o "período de 26 anos de exploração do projeto", o que corresponde a "uma média de 181 por ano". Acredita-se que o aumento da procura e da despesa dos turistas e visitantes do Douro "criará postos de trabalho na hotelaria, na restauração, no comércio, nas atividades recreativas e culturais e nos produtos endógenos". Ao mesmo tempo, "a procura não satisfeita por limitações do lado da oferta, em alguns municípios de menor dimensão, irá criar oportunidades de investimento privado nesses territórios".

Este troço de via-férrea tem pouco mais de 27 quilómetros e está desativado desde 1988. A reativação da linha entre Pocinho (Vila Nova de Foz Côa) e Barca d"Alva (Figueira de Castelo Rodrigo) anda a ser defendida, há muito, por autarcas, deputados na Assembleia da República, associações e outras organizações públicas e privadas, e pela própria população da região duriense.

O Governo português também já assumiu o desejo de voltar a levar o comboio até à fronteira com Espanha. Agora terá de sensibilizar o governo espanhol para que invista na reabertura da sua parte da linha, também desativada há décadas. Tal viria a permitir a ligação ferroviária entre o Porto e Salamanca, unindo quatro regiões que são Património Mundial da UNESCO - além dos centros históricos das duas cidades, ainda o Alto Douro Vinhateiro e o Parque Arqueológico do Vale do Côa - com evidente impacto na coesão territorial e no incremento turístico.

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