Recenseamento já não vai questionar se é branco, negro, asiático ou cigano

INE chumba proposta de peritos.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) recusou incluir uma pergunta sobre a origem étnico-racial no recenseamento geral da população portuguesa marcado para 2021.

A proposta levantava polémica com opiniões contra e a favor e tinha sido avançada por um grupo de trabalho formado pelo Governo que reunia vários especialistas.

Na prática as pessoas seriam questionadas se são brancas, negras, ciganas ou asiáticas.

O objetivo da pergunta e da colocação das pessoas em diferentes grupos de acordo com a sua origem étnico-racial seria avaliar as desigualdades sociais que afetam pessoas de diferentes origens.

Pergunta afetava qualidade do censos 2021

O INE considerou agora o tema "sensível" e que as perguntas, a serem feitas, podiam levar muitas pessoas a não responderem pondo em causa a qualidade do recenseamento, além de envolverem conceitos subjetivos, com limitações técnicas e práticas apontadas pelo Conselho Superior de Estatística.

O presidente do INE explica à TSF que não era possível incluir, em tempo útil, para 2021, sem estudos, a pergunta sugerida pelo grupo de peritos, recordando a experiência de outros países que tiveram "revoltas" da população.

Francisco Lima acrescenta que a única experiência que existe sobre este tipo de questões, em Portugal, era das perguntas colocadas nas antigas províncias ultramarinas, num contexto completamente diferente.

No entando, o INE admite que as desigualdades entre pessoas de diferentes origens étnico-raciais são um assunto importante e promete fazer um inquérito só sobre este assunto, "encontrando um instrumento apropriado para avaliar estas questões, medindo, como queria o grupo de trabalho, situações de igualdade e descriminação, algo que não seria adequado de fazer no censos".

O recenseamento geral da população portuguesa, feito de 10 em 10 anos, é a maior operação estatística que se realiza em Portugal, sendo considerado um momento fundamental para fazer o 'diagnóstico' da população portuguesa.

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