Reduzir a pegada ecológica com sapatos feitos de plástico dos oceanos

Também a ecologia marcou presença no Primavera Sound. Dos sapatos produzidas com plástico das praias às escovas de dentes de bambu, o festival deu a conhecer uma nova estação para o planeta Terra.

Sai um 37 e depois um 38, para experimentar de que tamanho será o símbolo do desperdício humano. A procura supera a oferta. É um sinal dos novos tempos.

"Este é impermeável, não é?", questiona uma cliente.

"É resistente à água", apressa-se a responder a vendedora, em solo do Primavera Sound, onde também a ecologia tem palco próprio.

Resistente à água, talvez porque de lá tenha saído. Cá fora, não é um peixinho de aquário, mas representa, antes, a liberdade de calcar a pegada ecológica, na tentativa de lhe travar a marcha apressada.

"Estas são especiais", assegura a vendedora da marca portuguesa Zouri from the ocean, que produz sapatilhas e sandálias a partir de plástico descartado.

Este calçado "especial" vai desde os 80 aos 130 euros, mas o amargo de boca não vem da carteira. Vem, sim da certeza de que a matéria-prima dos sapatos apresentadas no Primavera Sound poderia ter sido engolida por espécies marinhas ou depositada no fundo dos oceanos.

Hugo Melo, designer da Zouri, explica à TSF que a ideia se sustenta na apanha de plástico nas praias do norte do país, nomeadamente em Esposende.

"O plástico é trabalhado e triturado numa fábrica em Famalicão. Depois, a borracha natural é injetada", pormenoriza o criador. O corte é ainda finalizado com piñatex, ou seja, com folhas de ananás, e o forro é composto por algodão orgânico.

Já a pensar no verão que sucede o Primavera, há também uma gama de sandálias, com tecido de algodão orgânico, e a sola, claro está, feita a partir do plástico que dá à costa.

Trabalhar estes materiais é uma tarefa difícil e cara, sobretudo a nível da tecnologia, que ainda torna os processos muito demorados.

"Nesse sentido, a Adriana lançou uma linha de algodão orgânico para conseguir um melhor preço, principalmente para o mercado nacional", conta Hugo Melo.

Adriana Mano, responsável pelo projeto, frisa que existe "um acordo entre a Zouri e as câmaras municipais que já têm as suas limpezas regulares, em que apenas é pago o transporte até à empresa que faz a limpeza dos materiais". "É uma troca, um protocolo em que nós nos comprometemos a ir às escolas dos concelhos sensibilizar no formato de um workshop, e que permite às crianças brincarem com o lixo recolhido e criam arte, cada um com a sua abordagem aos pedaços de plástico", adianta a administradora, preocupada com os valores da "reutilização e redução".

"A reciclagem já está muito trabalhada. Agora é necessário reduzir o consumo e regenerar", sintetiza.

Quanto à estética, as peças preservam os valores intemporais, para que sejam "algo que fica", contra o recurso à "fast fashion" e ao seu impacto ambiental.

Zouri é a sandália típica japonesa que prima pelo minimalismo. A marca homónima, nascida há seis meses, é uma celebração da mentalidade nipónica também no que toca à preocupação ambiental.

Quando a filha de Fernando Ribeiro veio ao mundo foi também o abrir de um dia novo, luminoso, como nas terras do sol nascente. Preocupado com o futuro dos seus três filhos, o empresário, formado em marketing, virou as atenções para o cuidado paternal com a mãe natureza.

Inspirado pelo apelido carinhosamente dado à filha Catarina Bogarim na escola (Boo), o administrador criou, juntamente com Nuno Catarino, de 36 anos, a The Bam&Boo Toothbrush, especializada na produção de escovas de dentes, palhinhas para bebidas, cotonetes, fios dentários, estojos de viagem e champôs em barra de bambu.

"Somos uma geração preocupada com a sustentabilidade ambiental e social", posiciona-se Fernando Ribeiro, em entrevista à TSF.

Nascido o projeto, em 2016, os dois empresários nunca deixaram de aprender, especialmente quanto aos processos tecnológicos, com um modelo de negócio desenvolvido online, através de um sistema de subscrição com envio ao domicílio efetuado de três em três meses, dois em dois ou mensalmente. Cada escova, mais ou menos suave, e o seu serviço de subscrição custam 4,99 euros, mesmo que o cliente se encontre fora do país.

"A produção é feita com um parceiro nosso, certificado em sustentabilidade ambiental, e o design do produto também é nacional. Lançámos os produtos e o site", sustenta Fernando Ribeiro, que acredita que o NOS Primavera Sound é uma boa plataforma para promover os seus produtos, não só pela adesão do público mais jovem, como por uma abrangência crescente a outras gerações.

O cliente mais frequente da The Bam&Boo Toothbrush é "do género feminino, entre os 25 e os 35 anos", mas nunca é tarde para iniciar uma corrida contra o tempo para ganhar tempo neste planeta. Num mercado que descarta anualmente mil milhões de escovas de plástico, há agora produtos 95% biodegradáveis.

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