Reforma antecipada "podia aliviar um bocadinho a angústia de muitos professores"

A Federação Nacional de Professores (FENPROF) reúne em congresso esta sexta-feira e sábado em Lisboa.

De Bragança vêm 12 delegados ao congresso dos professores (FENPROF), ou melhor, já vieram. Tiveram que sair ontem (quinta-feira) da cidade transmontana e dormir em Lisboa, para estarem esta sexta-feira, por volta das 10 da manhã, no congresso.

Teresa Pereira é sindicalizada há trinta anos. Há quatro que, a meio tempo, faz trabalho sindical dividido com as aulas de físico-química. Para chegar a tempo ao Congresso, saiu de Bragança ontem. "Porque é muito longe e são várias horas de viagem. Dormimos em Lisboa. Se fossemos de manhã, tínhamos que sair muito cedo".

Saiu ela e mais alguns do norte do distrito numa carrinha alugada, os do sul, (do distrito de Bragança) fizeram o mesmo. Fica mais barato. Há já alguns dias que tiveram várias reuniões com delegados, dirigentes e professores para aprumar e combinar intervenções no congresso. As distâncias fora e dentro do distrito são uma preocupação, diz Teresa Pereira.

"Quando temos que ir a reuniões ao Porto ou a Lisboa gastamos muito tempo no caminho que depois não nos sobra para trabalho sindical. O mesmo acontece dentro do distrito. É muito disperso e as escolas também", salienta Teresa Pereira.

Ao congresso leva outra inquietação que atinge todos os professores que trabalham dentro daquela enorme zona pedagógica. "É todo o distrito de Bragança, Vila Real, parte do distrito da Guarda e parte do distrito de Viseu. Se um professor de Miranda do Douro, por exemplo, for colocado em Cinfães não pode ir e vir todos os dias. E não acontece só com os novos, com os mais velhos com mais de 60 anos também".

Neste caso específico, e há muitos semelhantes, acrescenta Teresa Pereira, se o professor de Miranda, colocado em Cinfães a 250 km, tivesse dois filhos a estudar, um no Porto e outro em Coimbra teria que obrigatoriamente pagar 4 casas. Uma situação insustentável acrescenta, para um professor, muitas vezes com 50 ou mais anos. A delegada sindical diz que a reforma antecipada poderia ser uma solução para velhos e novos.

"Poderia aliviar um bocadinho a angústia de muitos professores. Quem tem sessenta anos de idade e mais e já andou muitos quilómetros e já gastou muita gasolina, (deveria ser recompensado). Era benéfico tanto para os próprios como para a escola e para os alunos. Os alunos têm, neste momento, professores, digamos, velhos".

Naquela Zona Pedagógica a média de idades é de 62 anos. Não saem os velhos e não entram os novos. A interioridade, o despovoamento, a baixa natalidade ou a não valorização das carreiras, são alguns dos temas que Teresa Pereira e os outros 11 delegados de Bragança vão levar ao Congresso.

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