Resíduos em Setúbal não são, afinal, todos perigosos. Terreno é do BCP

BCP já foi notificado para limpar o terreno, mas, ainda sem resposta, a Câmara pede agora a intervenção do Ministério do Ambiente. Autarquia não acredita que resíduos sejam da velha Metalimex.

Ao contrário dos ambientalistas, a Câmara Municipal de Setúbal garante que nem todos os resíduos recentemente encontrados no concelho são perigosos e que todos os sinais apontam para que não sejam, afinal, os mesmos resíduos perigosos que supostamente teriam sido enviados para fora do país há 22 anos.

O caso foi conhecido na noite de segunda-feira depois de uma denúncia da associação ambientalista ZERO: as 30 mil toneladas de escórias de alumínio da empresa Metalimex agora encontradas deveriam, há muito, ter saído do local, numa viagem feita em 1998 e que foi, inclusive, apoiada pelo Governo da altura.

A partida daqueles que seriam os últimos resíduos perigosos da Metalimex tinha mesmo sido acompanhada pela ex-Ministra do Ambiente, Elisa Ferreira, numa viagem patrocinada pelos Estados português e suíço.

"Na Metalimex não existe nada"

A presidente da autarquia conta à TSF que não acredita que os resíduos da Metalimex, muito contestados pela população, tenham ficado em Setúbal e nenhum indício aponta nesse sentido.

Maria das Dores Meira diz que "nós não podemos dizer que os resíduos são provenientes daqui ou dali ou da Metalimex quando as populações viram sair os últimos resíduos da Metalimex".

A autarca recorda que os bombeiros fazem hoje exercícios na zona onde ficava a antiga Metalimex e "na Metalimex não existe nada, pelo que eu duvido que os governos suíço e português tenham pago aquele dinheiro todo para fazer um percurso que não chega a um quilómetro e depositar os resíduos noutro terreno privado. Não acredito que tenha sido assim", defende Dores Meira.

Razões que levam o município a pedir ao Ministério do Ambiente que investigue a origem e a perigosidade dos resíduos agora encontrados.

Há, no entanto, um outro facto que a Câmara de Setúbal garante que já é certo: apenas uma parte dos resíduos agora detetados são perigosos.

O dono do terreno

No local, segundo a presidente do município, funcionava uma empresa de construção civil que depositava na zona restos de estradas.

O terreno é agora do banco BCP que já foi notificado para limpar o espaço, mas ainda não deu resposta.

"Tenho o relatório dos técnicos [que foram ao local] a dizer que há materiais de várias proveniências e que o melhor será notificar o proprietário do terreno, notificação que já seguiu para o BCP. Entretanto começou o confinamento, não temos resposta do proprietário e agora estamos a notificar o Ministério do Ambiente para que certifique o tipo de resíduos e se são perigosos para a saúde pública", conclui Maria das Dores Meira.

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