Restringir entrada de veículos nas cidades? Só quando tudo falhar

Antigo vereador da mobilidade na Câmara Municipal de Lisboa explica que há alternativas que devem ser levadas em conta.

Impor restrições à entrada de veículos nas cidades é, na opinião do professor do Instituto Superior Técnico, Fernando Nunes da Silva, uma medida de último recurso, que só deve ser aplicada quanto tudo o resto falha.

O professor e antigo vereador da mobilidade na Câmara Municipal de Lisboa adianta a pressão causada pelos automóveis nas cidades só se verifica nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

"Na maior parte das nossas cidades não temos horas de ponta, temos quartos de hora ou meias horas de ponta. Já em Lisboa ou no Porto temos períodos de muito mais que uma hora em que a pressão do tráfego é muito grande", explica o professor.

Em relação a estas duas áreas este tipo de medidas "pode ter alguma justificação quando estiverem esgotadas as outras formas de controlar de uma forma muito mais racional e inteligente o acesso aos centros".

Para que esta realidade seja observada, é necessário que os transportes coletivos "correspondam às necessidade das pessoas", algo que já começou a observar-se com a diminuição do preços dos passes. Ainda assim, "está tudo por resolver em termos de capacidade e qualidade de oferta, cobertura espacial e horários de funcionamento".

Os transportes públicos não são, no entanto, a única dimensão que precisa de atenção junto dos grandes centros urbanos. Entre o "cardápio enorme" de medidas "racionais" que devem ser tomadas, o antigo vereador identifica duas que são prioritárias: novas políticas de estacionamento e uma fiscalização efetiva das viaturas poluentes nos grandes centros urbanos.

"Tirando o eixo da linha de Cascais, as pessoas que vivem na periferia da área metropolitana de Lisboa são as que têm, neste momento, menor poder de compra", revela Fernando Nunes da Silva, relembrando que "nos últimos cinco anos houve 40 mil pessoas que foram expulsas para a periferia" da cidade.

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