Reunião esta tarde. Ordem dos Médicos preocupada com Centro Hospitalar de Setúbal

Requalificação do serviço de urgência está para acontecer há "quatro ou cinco anos" e há falta de clínicos no hospital. Autarquia quer "manter a pressão" sobre o Governo.

A Ordem dos Médicos vai reunir-se, na tarde desta segunda-feira, com os diretores de serviço e de unidades médicas do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS), que se debate com vários problemas, incluindo a falta de clínicos.

Numa nota, o Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos (OM) referiu que a reunião, marcada com caráter de urgência, surge na sequência das recentes tomadas de posição dos vários diretores de serviço e de unidades médicas do CHS e da subsequente solicitação da atenção e solidariedade por parte do organismo.

Os diretores de serviço falam de uma situação preocupante e que pode levar, a muito curto prazo, ao colapso de alguns serviços e valências hospitalares.

"A situação no CHS - onde o conselho de administração preferiu uma estratégia de confronto e desconsideração pelos médicos e as suas direções, em detrimento do diálogo e do interesse dos doentes - é preocupante e merece particular atenção e acompanhamento", lê-se na nota.

Em declarações à TSF, o presidente do conselho regional da OM, Alexandre Valentim Lourenço, traçou o retrato de um hospital com muitas carências, "envelhecido e com um serviço de urgência caótico" e mal estruturado, cuja remodelação e reconstrução é esperada há "quatro ou cinco anos".

A construção de um novo edifício está programada "há vários anos" mas ainda não se concretizou e os diretores de serviço estão "cansados de trabalhar incessantemente em más condições".

O hospital de Outão também está "sempre no impasse de saber se é melhorado, transferido, ou não".

Faltam clínicos em áreas como "os Cuidados Intensivos, os serviços de urgência, a medicina interna, a obstetrícia e a pediatria", serviços básicos para uma população de "cerca de 230 mil pessoas na península de Setúbal mais 90 mil diárias, de referência, do Alentejo litoral".

A OM quer também perceber "o que é que está planeado para manter e atrair profissionais e aumentar a capacidade formativa de serviços importantes, como os Cuidados Intensivos", que precisam de condições para receber internos e "revitalizar" a equipa.

Na nota divulgada esta segunda-feira, a Ordem dá conta da existência de um conjunto de promessas antigas do conselho de administração e da tutela que nunca se concretizaram, adiantando que os médicos manifestaram também a sua preocupação com "o êxodo, falta de atratividade e falta de renovação de quadros médicos, que vai levar, a curtíssimo prazo, ao colapso de vários serviços e valências hospitalares".

"O Centro Hospitalar de Setúbal é um dos principais hospitais da região sul do país e é, pois, inaceitável a não resolução de problemas que se arrastam há demasiados anos", conclui a Ordem dos Médicos.

Todas estas são preocupações partilhadas, também, pela autarquia de Setúbal. O vereador com o pelouro da Saúde, Ricardo Oliveira, lamentou em declarações à TSF que as verbas para a obra, previstas no Orçamento do Estado, ainda não tenham sido transferidas para o hospital.

"As últimas informações que temos são de que há intenção de avançar, mas não tem passado muito disso", reconhece.

A câmara setubalense compromete-se a "insistir" no assunto e a contactar "o ministério da Saúde, Assembleia da República e comissão de Saúde", para "manter a pressão".

"É uma reivindicação do hospital, de toda a comunidade de Setúbal e da região", garante Ricardo Oliveira.

A TSF já contactou a Administração Regional de Saúde - Lisboa e Vale do Tejo, que não comenta a situação.

Assunto já passou pelo Parlamento

Há cerca de duas semanas, os diretores de serviço do CHS defenderam uma reclassificação do Hospital de São Bernardo e o início das obras de ampliação daquela unidade previstas no Orçamento de Estado de 2021.

"O Hospital de São Bernardo tem uma diferenciação que é muito superior àquela que nos é atribuída em termos de financiamento. E isso redunda num défice de 11 milhões de euros", disse o diretor de Infecciologia do Hospital de São Bernardo, José Poças, numa audição da comissão parlamentar de Saúde realizada por videoconferência, a pedido do PAN.

A reclassificação do Hospital de São Bernardo - que, juntamente com o Hospital Ortopédico do Outão, integra o CHS - permitiria que os atos médicos fossem pagos a um valor superior, idêntico ao que é pago a outros hospitais, como o Garcia de Orta, em Almada, e que, segundo José Poças, representaria um valor na ordem dos 11 milhões de euros.

Além da reclassificação, os diretores de serviço do Hospital de São Bernardo sublinharam a necessidade de se avançar rapidamente com as obras de ampliação, que já têm uma dotação orçamental de 17,2 milhões de euros no Orçamento do Estado de 2021 e que deveriam arrancar ainda este ano.

O infeciologista José Poças lembrou, no entanto, que o plano de construção, elaborado há cerca de seis anos, "já não responde às necessidades atuais e futuras daquela unidade hospitalar", dado que o Hospital de São Bernardo terá de acolher todos os serviços do Hospital Ortopédico do Outão, que será desativado.

Para os diretores de serviço, as dificuldades vividas diariamente pelos profissionais de saúde no Hospital de São Bernardo acabam também por levar à saída de alguns deles, colocando em causa a substituição daqueles que se vão reformando em diversas especialidades.

Perante a Comissão de Saúde, José Poças deixou ainda um alerta para as consequências que a degradação progressiva do Hospital de São Bernardo poderá ter num futuro próximo, se nada for feito para corrigir a situação muito rapidamente.

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