Ribeiro Telles "agiu, como poucos, na transformação de Portugal"

Graça Fonseca recorda o "arquiteto, político e professor universitário Gonçalo Ribeiro Telles", que, "através das paisagens, marcou a cultura e o património portugueses".

A ministra da Cultura lamentou "profundamente" a morte do arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, esta quarta-feira, aos 98 anos, "uma voz que transformou a defesa do ambiente num posicionamento cultural" e "agiu, como poucos, na transformação" de Portugal.

Num comunicado divulgado pelo Ministério da Cultura, Graça Fonseca recorda o "arquiteto, político e professor universitário Gonçalo Ribeiro Telles", que, "através das paisagens, marcou a cultura e o património portugueses".

Gonçalo Ribeiro Telles, figura pioneira na arquitetura paisagista em Portugal, cuja carreira também se destacou na cidadania, ecologia e na política, morreu esta quarta-feira à tarde, em casa, em Lisboa, rodeado por familiares, revelou à agência Lusa fonte próxima da família.

A ministra da Cultura salienta que o "longo percurso pessoal e profissional" de Gonçalo Ribeiro Telles "é, ao mesmo tempo, "sinónimo de serviço público e espelho do impacto vasto que a sua ação teve na sociedade portuguesa, na formação da consciência ecológica dos portugueses e na profunda transformação que as suas ideias inovadoras operaram na forma como se olha para o ambiente".

Para Graça Fonseca, o arquiteto paisagista "abriu horizontes e ensinou a ler e conhecer o território como um todo, bem como a compreender a importância central da sua preservação".

"Desta forma, mostrou-nos que a ecologia é, também, uma dimensão fundamental do nosso património cultural. Da sua intervenção pública na área da cultura destaca-se o papel central que teve na fundação do Centro Nacional de Cultura, que comemora este ano 75 anos e do qual era o sócio número um, cuja identidade será sempre inseparável da sua visão idealista e do seu compromisso apaixonado", refere.

A responsável da pasta da Cultura lembra ainda que Gonçalo Ribeiro Telles, que tinha "um perfil educador, permanentemente envolvido e interessado", "agiu, como poucos, na transformação de Portugal".

"A cultura portuguesa perdeu hoje o talento de um dos seus grandes arquitetos, mas também uma voz que transformou a defesa do ambiente num posicionamento cultural. É este, também, o seu legado e o exemplo que, em sua homenagem, seguiremos", afirma.

Nascido em 25 de maio de 1922, em Lisboa, Gonçalo Ribeiro Telles idealizou, entre outros, os chamados "corredores verdes" de Lisboa e concebeu os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, também na capital, em conjunto com o arquiteto António Viana Barreto.

Professor Honoris Causa pela Universidade de Évora e professor Emérito desta instituição, onde criou o curso de Arquitetura Paisagista, Gonçalo Ribeiro Telles gostava de citar os frescos de Ambrogio Lorenzetti, no Palácio Comunal de Siena, vindos do século XIII, com exemplos de "Bom Governo" e "Mau Governo", na gestão e ordenamento das cidades.

No primeiro caso, sublinhava a imagem de uma cidade de portas abertas, numa comunicação entre o campo organizado e a urbe, com gente a entrar e a sair.

No segundo caso, a mesma cidade mas com as portas encerradas, como num grande condomínio fechado, e as representações da crueldade, da traição, da maldade, da vã glória e da soberba, lado a lado com o tirano.

Gonçalo Ribeiro Telles foi distinguido com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, em 1969, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, em 1988, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1990, e com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 2017.

O Governo decidiu hoje decretar um dia de luto nacional, na quinta-feira, pela morte do arquiteto paisagista e fundador do PPM (Partido Popular Monárquico), Gonçalo Ribeiro Telles, disse à agência Lusa fonte oficial do executivo.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de