Rio Tejo está verde na fronteira com Espanha

A culpa é de um bloom de algas provocado pela escassez de água que se prolonga há mais de um mês.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) detetou um crescimento rápido de algas na albufeira da barragem de Cedillo, no rio Tejo, entre a fronteira de Portugal e Espanha.

A informação está a ser avançada pela APA que detalha, em comunicado, que a água "apresenta uma coloração verde devido ao aparecimento de um bloom de algas (de cianobactérias)".

Em causa estão algas microscópicas provocadas pela "elevada concentração de nutrientes na albufeira, nomeadamente fósforo, condições de temperatura e luminosidade elevadas", bem como pelos reduzidos caudais que se têm verificado desde agosto.

A APA diz que está a monitorizar a qualidade da água em conjunto com as autoridades espanholas com o objetivo de diminuir estas ocorrências e recorda que esta água não é usada nem para a prática balnear, nem para o abastecimento público.

O presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão, um dos municípios portugueses onde fica situada esta albufeira da barragem de Cedillo, não fica surpreendido com a informação avançada pela Agência Portuguesa do Ambiente.

Luís Pereira explica à TSF que infelizmente estas situações são cada vez mais comuns e não apenas quando há pouca chuva, ou seja, surgem em "épocas em que não deviam acontecer", provocadas pelas alterações climáticas, mas também pela má gestão que é feita dos caudais do Tejo vindos de Espanha.

Paulo Constantino, fundador do ProTEJO - Movimento pelo Tejo, afirma que este bloom de algas é, na prática, sinal da eutrofização do Tejo - um processo degradação das suas massas de água.

"Aquilo que está a causar este manto de algas na barragem em Cedillo não é novo e já aconteceu em 2009, 2017, 2019 e agora em 2021", refere Paulo Constantino.

O ambientalista sublinha os nutrientes acumulados nos fundos das albufeiras espanholas provocados por fertilizantes e águas residuais não tratadas que chegaram ao Tejo, num fenómeno que se agravou este ano pelo esvaziamento de duas barragens espanholas para aproveitar os elevados preços da eletricidade no mercado, algo que estará a ser investigado pelo Governo de Madrid.

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