"Risco muito grande." Ensino só deve reabrir se Rt não disparar para 1.05

Os especialistas lembram que em setembro o Rt aumento de 20 a 25 por cento depois da reabertura das escolas.

O Governo já prometeu que as escolas vão ser os primeiros estabelecimentos a abrir portas, assim que for desenhado o desconfinamento, mas os especialistas alertam para a necessidade de acautelar as normas de segurança. Ouvido na Assembleia da República, Jorge Buescu, professor do departamento de Matemática da Universidade de Lisboa garante que o Rt vai voltar a subir.

"Basta ver o que aconteceu depois da reabertura das escolas em setembro: seis dias depois, aumentou de 20 a 25 por cento", lembrou quando respondia às questões dos deputados.

O professor esclarece que as escolas só devem reabrir se o Rt não passar de 1.05, prevendo um aumento de 25 por cento. "Se o Rt estiver a 0.98 antes da reabertura das escolas, é uma imprudência. Corre-se um risco muito grande", explicou.

Jorge Buescu já tinha indicado que quando o Rt sobe, a incidência também vai subir, o que permite prever o efeito da pandemia. Com recurso a um gráfico que mostra a incidência e o Rt ao longo dos últimos seis meses, Buescu explicou que "a análise do Rt permite-nos saber que vem aí uma onda exponencial com algum avanço".

"Muito rapidamente se perde o controlo", alertou, explicando que existe uma correlação entre o Rt e a incidência da doença.

Jorge Buescu apontou que, quando o Rt chega a 1.2 "já é demasiado tarde para intervir", e indicará que estamos perante uma nova vaga da pandemia. "Se queremos dominar as ondas, não podemos deixar chegar a esse ponto. É muito difícil fazê-lo descer", disse.

O professor da universidade lisboeta esclareceu ainda que a 31 de dezembro, com os dados que obteve, o Rt "disparou para 1.4". "Naquele momento percebi que as coisas iam correr muito mal", admitiu.

Buescu explica que, no final do ano, era necessária uma ação imediata. "Não se tomou nenhuma ação, e no dia 6 de janeiro a incidência foi elevadíssima", recordou.

Testagem nas escolas não permite perceber se são locais seguros

Carlos Antunes, professor de Engenharia Geoespacial da Universidade de Lisboa, admite que a questão da testagem é "muito complexa". O professor explica que têm de existir critérios claros, e que o processo aleatório não permite perceber se as escolas são locais seguros.

"Se fizer uma testagem só sobre os suspeitos, a prevalência é de 20%, vou encontrar 200 pessoa infetadas por cada mil testes. Se for aleatório dentro das escolas, posso fazer mil testes, mas vou encontrar apenas 0.8 infetados", adianta.

O professor lembrou ainda que o espaço onde são testados pode não ser o mesmo onde os alunos são infetados.

"Casos ativos estão a crescer." Especialistas pedem cautelas no desconfinamento

Numa ilustração com jacintos de água, Henrique Oliveira explicou o crescimento da pandemia, "que duplica o número de casos a cada dia". Ora, para retirar os jacintos, é necessário resolver o problema logo no início. Assim, o professor do Instituto Superior Técnico aconselha o Governo a tomar medidas o mais cedo possível.

"Com um número de casos elevado, o país não terá capacidade para gerir todos os doentes", lembrou.

No Natal, Henrique Oliveira adianta que os casos já estariam a subir, embora ainda não fosse percetível na positividade dos testes.

O especialista referiu ainda que a vacinação terá de abranger mais do que 77,8 por cento da população, uma vez que as vacinas não são totalmente eficazes. "Se queremos atingir a imunidade de grupo, não nos podemos esquecer que as vacinas não são cem por cento eficazes", apontou.

Henrique Oliveira afirma que se deve pensar no desconfinamento, mas com prudência, "para evitar os erros de janeiro e dezembro". O professor explicou que a taxa de variação diária de casos ativos está a crescer.

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