Rosa Mota. A polémica história do palácio que um dia foi pavilhão e agora é arena

No local onde havia um palácio nasceu um pavilhão futurista que agora ganha a designação de Arena. A história do mais emblemático multiusos da cidade do Porto sempre foi marcada pela polémica.

No final da década de 1940, a Câmara Municipal do Porto começou a equacionar soluções que fizessem face ao avançado estado de degradação em que se encontrava o Palácio de Cristal. Um edifício de inspiração inglesa, construído em 1851 e cuja estrutura - maioritariamente em aço e vidro - pedia uma reforma urgente. Lucínio Presa, então presidente da autarquia, optou por demolir o Palácio de Cristal. Uma decisão tão radical quanto de polémica.

Quando se ficou a conhecer o projeto de José Carlos Loureiro, um então jovem arquiteto de 25 anos, a discórdia aumentou. "As pessoas são conservadoras por natureza e a ideia de substituir o velho Palácio de Cristal por uma construção nova foi algo que muita gente considerou um erro. Aliás, ainda hoje há quem pense assim", disse José Carlos Loureiro em dezembro de 2018 em entrevista ao Jornal de Notícias . Lembrou até que "o ferro estava desgastado, os vidros ou partidos ou estalados, a estrutura podre e enferrujada, entrava água... Enfim, uma desgraça."

Apesar da polémica, o jovem arquiteto estava determinado. "Era um jovem cheio de ideias e de vontade de fazer coisas, se houve pressões passaram-me ao lado." Projectou depois o que viria a ser o Pavilhão dos Desportos, radicalmente diferente do Palácio de Cristal, com um conceito futurista.

Logo em 1952, com as obras ainda por terminar, recebeu o campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, que Portugal venceu. Nos anos seguintes o pavilhão continuou a servir de casa a vários eventos desportivos.

Tempos de "paz e sossego" interrompidos por novos radicalismos. Na noite de 25 para 26 de janeiro 1975, os 700 participantes no I Congresso do CDS, ficaram sitiados no interior do Palácio e só a intervenção do COPCON pôs termo ao cerco.

Em 1991, Portugal foi novamente campeão do mundo de hóquei em patins no Pavilhão dos Desportos e Fernando Gomes, então presidente da Câmara Municipal do Porto, decidiu homenagear a portuense Rosa Mota, vencedora da Maratona Olímpica em Seul, em 1988. Nascia assim o Pavilhão Rosa Mota, numa decisão sem contestação.

Com o passar dos anos as condições do edifício, que para os portuenses nunca deixou de ser "o Palácio", foram deteriorando-se e Rui Moreira decidiu fazer da recuperação do Pavilhão dos Desportos uma das bandeiras da candidatura à Câmara Municipal do Porto, em 2013.

O processo de recuperação do Pavilhão Rosa Mota, que arrancou em 2014 pela mão de Rui Moreira, foi polémico e conturbado. Duas propostas foram excluídas do concurso público lançado pelo executivo camarário. Um dos consórcios eliminados recorreu da decisão junto do Tribunal Administrativo Fiscal e foi-lhe dada razão. Com a luz verde judicial, os queixosos não só voltaram à corrida da exploração do espaço como acabaram por ser selecionadas para o projeto de recuperação e concessão.

O fim obras não marcou o encerramento das polémicas que agora se instalaram à volta do nome do "Palácio."

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