Ruído de barcos no Tejo afeta rituais de acasalamento de peixes

As "serenatas" dos xarrocos - em que os peixes produzem sons através da vibração da bexiga natatória -, estão a ser "abafadas" pelo tráfego marítimo no rio Tejo.

O ruído de embarcações no Tejo pode estar a reduzir drasticamente a capacidade de os xarrocos ('Halobatrachus didactylus'), espécie também conhecida como 'peixe-sapo lusitano', comunicarem através de sons e afetar rituais de acasalamento, indica um estudo divulgado.

O estudo, publicado no "Journal of Experimental Biology", foi realizado por quatro investigadores da Universidade de Lisboa, que concluem que as "serenatas" dos xarrocos - em que os peixes produzem sons através da vibração da bexiga natatória -, estão a ser "abafadas" pelo tráfego marítimo no rio Tejo.

Na primavera os machos emitem um som, semelhante a um telemóvel a vibrar, para atrair as fêmeas, mas através desse som também verificam se há outros machos nas redondezas, mas segundo o estudo conduzido por Clara Amorim, Daniel Alves, Manuel Vieira e Paulo Fonseca, as capacidades de comunicação dos xarrocos podem estar em causa devido ao ruído dos motores de embarcações.

No estudo, os investigadores notaram que os peixes continuavam a conseguir ouvir-se mesmo com o ruído dos apitos dos barcos ou dos motores dos navios de transporte público, mas que já não era assim tão fácil em relação aos barcos com motor fora de borda.

O estudo concluiu que o tráfego no rio Tejo está a afetar a capacidade dos peixes de se ouvirem uns aos outros, e, de acordo com os investigadores, o processo de cortejamento que leva à reprodução também está a ser afetado, porque os peixes não se conseguem coordenar entre eles nas respostas às fêmeas.

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