"Rússia não registou uma vacina, é um projeto que dizem ser uma vacina"

O virologista Celso Cunha diz, na TSF, que o projeto russo não passou todos os testes necessários para ser considerado uma vacina.

A Rússia registou a primeira vacina contra a Covid-19, mas a comunidade científica não está segura quanto à eficácia e segurança do fármaco. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ficou surpreendida com o anúncio de Vladimir Putin, e também o virologista português Celso Cunha lança um olhar crítico sobre a vacina.

O especialista em virologia do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em declarações à TSF, diz que a denominada Sputnik V não foi sujeita a um escrutínio rigoroso pelos especialistas.

"Trata-se de uma iniciativa extemporânea dos governantes russos. Eles não registaram uma vacina, foi um projeto que dizem ser uma vacina. Este preparado ainda não passou todos os testes necessários para ser considerado uma vacina, nomeadamente, os três ensaios clínicos, que envolvem um grande número de voluntários. É um processo que demora vários meses", reconhece.

Em entrevista à TSF, Celso Cunha afiança que "não há nenhum registo na literatura científica" de resultados com ensaios da vacina registada pela Rússia.

O virologista lembra que Donald Trump e Jair Bolsonaro já tomaram posições idênticas, quando defenderam a utilização da hidroxicloroquina. "As notícias agora veiculadas estão inverificadas do ponto de vista científico. O Presidente Trump ou o Bolsonaro dizem coisas parecidas sem evidências científicas. Podem dizer o que quiserem, mas não há nenhuma evidência na comunidade científica que permita dizer que o que está a ser proposta como uma vacina é eficaz e seguro", aponta.

A Rússia anunciou na manhã desta terça-feira que registou uma vacina contra o novo coronavírus. Vladimir Putin adiantou que uma das suas filhas já foi inoculada.

A OMS anunciou no início de agosto as seis vacinas que estavam mais avançadas na fase de testes, sem incluir o projeto russo. Entretanto, o porta-voz da organização, Tedros Ghebreyesus, pediu cautela quando se aceleram processos que obrigam a uma elevada segurança.

O fármaco chama-se "Sputnik V", vai começar a ser fabricada em setembro e já foi encomendada por 20 países. A produção industrial vai começar em setembro e, de acordo com o Kremlin, passa a estar disponível em janeiro de 2021.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de