Sair do isolamento para votar? Médicos de saúde pública consideram um "precedente perigoso"

Gustavo Tato Borges lembrar que as regras são claras: o objetivo do isolamento "é evitar contágios e quebrar as cadeias de transmissão". Por isso, o especialista considera que esta é uma ideia perigosa.

A Associação de Médicos de Saúde Pública está preocupada com a intenção de ser levantado o isolamento a eleitores para que possam exercer o direito de voto nas eleições legislativas, marcadas para 30 de janeiro. Em declarações à TSF, o vice-presidente desta associação, Gustavo Tato Borges, considera um "contrassenso perigoso".

"Estabelecemos regras de isolamento para um objetivo: o objetivo é evitar contágios e a continuidade de uma cadeia de transmissão de uma doença, neste caso, da covid. Permitir que as pessoas possam sair durante o período de isolamento parece-me um contra senso. Percebo que é um momento marcante, são umas eleições, toda a gente tem o direito de votar, mas a verdade é que também têm direito a trabalhar, também têm o direito a ter reuniões importantes para determinadas situações e mesmo assim estão sempre a ser adiadas no caso de estarem em isolamento. Portanto, parece-me um precedente algo perigoso", considera o médico de saúde pública.

Para Gustavo Tato Borges, para que essa seja uma possibilidade, é preciso encontrar condições para as pessoas que estejam nessa situação "não entrem em contacto com o público em geral".

"Estamos a falar de votar num sítio diferente, votar com hora marcada, votar num contexto de maior distanciamento das pessoas que estão na mesa e sem contacto físico com eles, com máscara FFP2, totalmente separados para minimizar qualquer risco que possa existir de eles poderem infetar uma pessoa naquele local", sugere.

Gustavo Tato Borges sublinha que "é necessário ter muito cuidado", salientando que "ainda assim, é muito diferente alguém que está no seu quarto dia de isolamento e acabou de receber um teste negativo de rastreio ou alguém que está no primeiro, segundo ou no quinto ou no sexto, e está a aguardar o seu teste".

O Presidente da República, o presidente da Assembleia da República e outros titulares de cargos políticos pediram ao Governo uma alternativa clara para que seja possível os eleitores em isolamento irem votar.

Na reunião do Infarmed, os epidemiologistas fizeram as contas e, segundo os vários modelos matemáticos apresentados, prevê-se que 12% da população esteja em isolamento na segunda semana de janeiro.

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