Santa Maria promete contratar, mas enfermeiros dizem que não chega

Toda a equipa dos cuidados intensivos neonatais do Hospital Santa Maria, composta por 37 enfermeiros, apresentou escusa de responsabilidade.

A resposta do Hospital de Santa Maria chegou, mas não foi ao encontro das reivindicações dos enfermeiros do serviço dos cuidados intensivos de neonatologia. Há a promessa de contratação de mais profissionais, mas fica aquém das exigências que os enfermeiros exigem para acabar com os receios.

Toda a equipa dos cuidados intensivos neonatais do Hospital Santa Maria, composta por 37 enfermeiros, apresentou, na segunda-feira, escusa de responsabilidade. Ana Sartori, uma das enfermeiras que assinou o documento, afirma que o anúncio da contratação de mais três enfermeiros não vem resolver a questão imediata.

"A entrada de dois enfermeiros já durante a segunda quinzena de agosto e de um enfermeiro em setembro. Tendo em conta a especificidade desta unidade e o elevado grau de complexidade dos nossos bebés, um enfermeiro para começar a ser autónomo na prestação de cuidados demora, no mínimo, três meses. Ou seja, estas contratações não resolvem, de imediato, o problema vivido na neonatologia do Santa Maria", explicou à TSF Ana Sartori.

Nesta unidade que tem capacidade para 19 bebés e está, nesta altura, a dar resposta a 17 estão a faltar, desde o final de julho, oito enfermeiros.

"Em 60% dos turnos falta um enfermeiro e em mais 11% faltam dois enfermeiros, ou seja, em 71% dos turnos previstos para o mês de agosto faltam enfermeiros. Agosto não é o mês em que mais pessoas estão a tirar férias, setembro será um mês mais crítico nesta matéria. Mesmo que todos estivessem a prestar cuidados neste momento continuariam a faltar estes sete enfermeiros para dar resposta às necessidades efetivas da unidade", afirmou uma das enfermeiras que assinou a escusa de responsabilidade.

A unidade de cuidados intensivos neonatais do Santa Maria é centro de referência para várias doenças e são os únicos a receber bebés com diferentes patologias.

"Somos também dos poucos hospitais da Área Metropolitana de Lisboa que recebe os recém-nascidos com idade gestacional igual ou superior a 24 semanas, temos um elevado grau de complexidade. Recebemos bebés do foro neurocirúrgico, do foro cirúrgico e com patologia cardíaca. É todo um conjunto de especificidades às quais o Santa Maria dá resposta e, em alguns casos, somos o único hospital da região. Diariamente fazemos um esforço imenso para responder às necessidades dos bebés e das suas famílias", acrescentou a profissional de saúde.

Na base desta decisão de exclusão de responsabilidade, afirmam, está "a escassez de recursos humanos para dar resposta às necessidades de uma das unidades mais diferenciadas do país e que é serviço fim de linha, situação que faz perigar a segurança dos bebés internados".

Na declaração, os enfermeiros afirmam que "não estão em condições de assegurar a vida e a segurança dos recém-nascidos, bem como a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados ao neonato e família, pese embora desenvolvam todos os esforços para evitar qualquer incidente ou acidente".

Para os enfermeiros, "a pressão adicional" sobre os recursos técnicos e humanos disponíveis vivenciada na unidade está "a tornar-se incomportável", com particular incidência na equipa de enfermagem.

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