Saúde atinge número de "tarefeiros" e horas extra mais alto de sempre

O relatório social do Ministério da Saúde divulgado esta terça-feira aponta mais gastos com "tarefeiros" e uma sobrecarga horária dos profissionais do SNS.

Em 2018, o trabalho suplementar ultrapassou as 13 milhões de horas, o valor mais alto de sempre, com o pagamento de 260 milhões de euros. São as conclusões do relatório social do Ministério da Saúde que será divulgado esta terça-feira, mas cujas conclusões já foram avançadas por várias publicações.

Apesar de ter havido um reforço nas contratações, os números são explicados pela falta de recursos humanos, mas também pela redução do horário de trabalho para as 35 horas.

Os enfermeiros registam o maior número de trabalho extraordinário: uma média de 115 horas por ano. Embora tenham sido contratados mais de 1300 profissionais, estes passaram a fazer menos cinco horas por semana.

O relatório social do Ministério da Saúde revela que o trabalho durante a noite corresponde a quase um terço do total de horas extra em 2018, o que corresponde a um aumento de mais de 60% quando comparado com 2017.

O trabalho diurno registou um crescimento de quase 45%, num total de 3,6 milhões de horas. Estes aumentos tiveram custos acrescidos: mais 51 milhões de euros relativamente a 2017.

Os trabalhadores externos - os "tarefeiros" - representaram uma despesa global de mais de cem milhões de euros.

O bastonário da Ordem dos Médicos contesta que os médicos tenham sido abrangidos pelo encolhimento do horário laboral. Ouvido pela TSF, Miguel Guimarães revelou ter "muita preocupação" por "uma situação complexa". Trata-se, de acordo com o bastonário, de um "ciclo vicioso criado pelo Governo".

"É preciso contratar pessoas, e o problema é que as pessoas mais jovens estão a sair do Serviço Nacional de Saúde", fundamenta Miguel Guimarães. "O número de médicos que são contratados através de empresas prestadoras de serviços, por mais de cem milhões de euros, mostra, de facto, que há uma grande falta de capital humano no SNS, sem a passagem para de 40 para as 35 horas, porque os médicos não foram abrangidos", acrescenta.

Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), em declarações à TSF, assegura que o número de contratações de que o Governo assumiu o mérito não reflete a realidade dos recursos humanos nos hospitais e centros de saúde. "O Governo anuncia que aumentou o número de profissionais, e, na verdade, o que temos de constatar é o balanço entre as entradas e as saídas. Podemos afirmar com absoluta clareza que, nalguns hospitais, na sua maioria, o número de efetivos que entraram, comparativamente ao número de enfermeiros que saíram ou que estão a faltar, não se traduz num aumento real do número de enfermeiros."

Este balanço potencia que "quem lá está tenha de trabalhar mais", de acordo com Guadalupe Simões.

Para a representante do sindicato, a enfermagem é uma atividade em que as desigualdades têm sido acentuadas. "A enfermagem é uma profissão jovem, feminina, e as enfermeiras podem querer ter filhos, e pretendem fazer o acompanhamento dos filhos menores, até aos 12 anos, o que significa que, nesse regime de trabalho, não fazem trabalho noturno", aponta.

"Os enfermeiros com mais idade são os que estão a suportar os turnos da tarde e da noite, bem como os fins de semana", conclui a sindicalista.

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