Sem amor e com maus-tratos. Espaço Lara apoia crianças e jovens vítimas de violência doméstica

No Porto, a Associação Plano i tem, desde o final do ano passado, uma resposta de apoio psicológico para crianças e jovens vítimas de violência doméstica. Em pouco mais de seis meses já foram atendidos 80 casos, a maioria de abuso sexual ou de violência física severa, que empurra os mais novos para um quadro de ansiedade e angústia profundas. São todos atendidos no Espaço Lara, cujo nome é uma homenagem a uma menina assassinada pelo pai, em 2019.

Tiago Castro é psicólogo na Associação Plano i, uma ONG na área dos direitos humanos. No Dia Mundial da Criança, ele recorda uma das denúncias chegou ao Espaço Lara. Um familiar de uma criança de 11 anos captou em imagens a brutalidade do pai.

"Recebemos um vídeo em que temos uma criança vítima de violência doméstica, aos gritos para que o pai, que era a figura agressora, parasse com a violência física. Esta criança acabou por ser retirada à família, como acontece em muitos casos. Este caso, em concreto, impressionou-nos porque uma coisa é ouvir um relato, outra é ver e ouvir uma criança aos gritos."

Ao Espaço Lara chegam, sobretudo, denúncias das Comissões de Proteção que identificam crianças e jovens vítimas de violência doméstica.

"Em termos clínicos recebemos casos de depressão, ansiedade, automutilação e desejo de suicídio."

O espaço tem o nome de Lara, assassinada pelo pai em 2019. Esta consulta abriu em outubro do ano passado, já atendeu 80 casos, mas todos os dias há cada vez mais sinalizações de casos de violência doméstica para com crianças e jovens. Neste espaço encontram uma resposta especializada.

"Antes só havia uma resposta geral, em hospital e nas escolas, aqui nós temos formação específica para responder a casos de violência doméstica."

A maioria das denúncias tem por base abusos sexuais ou violência física severa. Dos 5 aos 18 anos, é este o intervalo de idades das crianças e jovens que recebem apoio no Espaço Lara, no Porto. Uma ajuda que ameniza a violência de que são vítimas, mas há cicatrizes na autoestima que ficam para a vida, porque se tratam de retratos de uma infância roubada de amor por quem mais o devia dar e servir de exemplo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de