Sem condições, Técnico não vai abrir vagas adicionais para novos alunos

Presidente do instituto diz que os laboratórios estão cheios e não há capacidade para investir em novos equipamentos, mas alerta para a necessidade de formar mais pessoas nas áreas tecnológicas e desafia o Governo a auscultar as necessidades das instituições.

O Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa não vai abrir vagas adicionais no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior deste ano por falta de condições para receber mais alunos.

O presidente do IST, Rogério Colaço, explica na TSF que a posição da instituição é a de "conservar um número de vagas igual ao do ano anterior"

No ano passado, o IST recebeu 1700 alunos e 200 adicionais, mas este ano não há condições, assinala o responsável. "Temos os nossos laboratórios cheios e não temos capacidade para fazer investimento em novos laboratórios, em novos espaços e em novos equipamentos", reconhece.

Além dos recursos materiais, também o corpo docente está "totalmente alocado a atividades letivas" e faltam professores para abrir novas turmas, assim como "pessoal técnico e administrativo, que também é importante e nem sempre é lembrado".

Estes profissionais desempenham um papel no "acompanhamento do pessoal da área académica, apoio laboratorial e acolhimento dos alunos", realça o responsável pela instituição.

A decisão final é, no entanto, do ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Direção-Geral de Ensino Superior, lembra Rogério Colaço.

"Essa decisão ainda não me foi comunicada", explica, lembrando a autonomia das instituições.

"Acho que não é um bom princípio aumentarem-se as vagas sem se consultar os diretores e os presidentes das escolas e universidades sobre se têm capacidade para acolher um aumento de alunos e quais as condições que têm de ser satisfeitas para os acolher", alerta.

Empregadores com dificuldade em encontrar engenheiros

O presidente do IST alerta também para a falta de engenheiros no mercado e revela que tem sido contactado pelos empregadores, que dizem "precisar de recrutar e não conseguem encontrar".

"Fazem falta ao nosso país pessoas com formação tecnológica, neste momento já não existem, temos um estrangulamento", defende o responsável.

Assim, se o Governo entender que "é um desígnio formar mais pessoas", deve planear nesse sentido, dizendo às instituições quantas pessoas são precisas e procurando saber, junto das escolas, "do que precisam para as receber" e qual o investimento necessário, defende Rogério Colaço. "Não é uma questão política nem ideológica, é de planeamento apenas", garante.

Esta manhã, na TSF, ​o ​​​​​​ministro Manuel Heitor, garantiu que as vagas para o acesso ao Ensino Superior deste ano "são suficientes, como têm sido", mas se o número de candidatos aumentar de forma específico, o ministério compromete-se a "trabalhar com as instituições como no ano passado".

A tutela anunciou um aumento de 934 vagas nas universidades e politécnicos públicos, no próximo ano letivo. O aumento refere-se aos lugares que estavam disponíveis no início do concurso, em agosto do ano passado, mas o Governo sublinha que, a meio do concurso, houve um acréscimo adicional de vagas para responder à enorme procura do ano passado.

Este ano, são 52.963 os lugares disponíveis para novos estudantes no ensino superior público. A oferta, explica o ministro, tem sido adaptada à "capacidade crescente dos portugueses, que estudam mais", numa altura em que metade dos jovens com 20 anos já estudam no Ensino Superior, sendo que o Governo quer 60% destes jovens a estudar a este nível em 2030.

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