Sem mais apoios Vila Real pode ficar sem corridas de automóveis

Alerta foi lançado, este domingo, pelo presidente da Câmara, Rui Santos. Exige maior envolvimento do Governo e de outras entidades parceiras do circuito internacional

O presidente da Câmara Municipal de Vila Real alertou, este domingo, que as corridas de automóveis de Vila Real podem acabar. Rui Santos faz depender a continuidade do apoio do Governo - que foi garantido nos últimos anos, mas que nesta edição ainda não chegou - bem como do maior envolvimento de outras entidades.

O autarca socialista acha "estranhíssimo que o Governo se tenha predisposto a apoiar as corridas em Portimão, que tiveram 20 mil espetadores, e não se predisponha a apoiar Vila Real em termos proporcionais". Rui Santos entende que "um milhão de euros", valor que já foi atribuído nos circuitos de 2015 e de 2016, "não seria demais para uma prova que tem um retorno financeiro de 80 milhões de euros para Vila Real, para a região do Douro e para o país".

O presidente da Câmara lançou ainda críticas à Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), que certifica o circuito para que possa receber provas internacionais. "Cobra uma percentagem (mais de 25%) da certificação", o que o autarca considera "incompreensível".

A FPAK cobra uma taxa de "240 mil euros", dos quais "170 mil são entregues à Federação Internacional de Automobilismo (FIA)". Ou seja, a FPAK fica com o restante, 70 mil euros. O presidente da Federação, Ni Amorim, acentua que é "uma taxa bastante inferior ao que se paga, por exemplo, em Espanha (90 mil euros)".

Amorim entende que as declarações do presidente da Câmara de Vila Real "não são, propriamente, um ataque à FPAK", mas antes "à falta de apoio" que ele sente por partes das entidades. "Ele [Rui Santos] tem razão. O Governo e o Turismo poderiam comparticipar com mais dinheiro um evento que é realmente muito caro e que requer da Câmara um esforço muito grande", sublinhou.

O presidente da Câmara de Vila Real também não poupa nas críticas às pessoas que, "estando disponíveis para gastarem 400 euros para irem a Lisboa ao Rock in Rio", andam a "pedir à organização do circuito pulseiras de acesso que valem 10 euros" e "não se predisponham para comparticipar para que as corridas possam acontecer".

Devido a este conjunto de situações, a organização do Circuito Internacional de Vila Real vai "ponderar" o que vai fazer quando cair o pano sobre a edição deste ano. "Provavelmente, vai ter de ser repensado", dado que "um tango se dança sempre a dois". Ora, "quando os nossos parceiros não querem dançar connosco é muito difícil realizar o circuito", concluiu Rui Santos.

O presidente do Turismo do Porto e Norte, Luís Pedro Martins já tinha salientado que "não é fácil trazer eventos de grande dimensão para o Interior" do país. E numa altura em que há tantos discursos recheados de promessas de valorização da faixa do país encostada a Espanha, "é preciso aproveitar as iniciativas daqueles que ainda têm a coragem de as realizar e que veem no Interior uma oportunidade e não uma fatalidade".

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